João Edisom
A crise pandêmica a que o mundo entrou a partir de 2020 escancarou a ausência de lideranças no mundo todo. Com raras exceções somadas aos estados ditatoriais, a maioria dos países tem batido cabeça e contribuído com a letalidade do vírus justamente por esta ausência da capacidade de agregar em torno de si os elementos necessários para gestar em situações de dificuldades.
Conceituando que os ditadores e populistas raivosos nem entram nesta lista, uma vez que gerenciar não tem nenhuma relação com liderar. Gerenciar exige técnicas, liderança está baseada em caráter. Gerentes ditatoriais já matam os seus todos os dias, nem precisam de situações difíceis como uma pandemia para gerar tragédia.
A grande maioria das pessoas no mundo não tem capacidade de decidir nem suas próprias vidas, quanto mais liderar e decidir em nome de todos. Mas a natureza da humanidade, recheada de desejos e vontades próprias, sempre nos coloca para tomar a decisão final. Desde que não implique em responsabilidade. Ou seja, opinar, dar palpites ou mesmo decidir, mas sem arcar com as consequências.
Se olharmos a fisionomia de quem realmente decide e tem responsabilidades sobre as ações, veremos que sua fisionomia envelhece em uma velocidade diferente. Liderança proativa requer muito conhecimento de causa e sabedoria emocional. Liderar é persuadir sem impor, opinar sem mandar. Mas o grande diferencial do líder é a habilidade em como fazer tudo isso.
Liderar com eficiência é saber deixar o orgulho de lado e não se impor pelo cargo, mas despertar nos outros a vontade de fazer. Um líder é aquele que possui a habilidade de construir relacionamentos com valores nobres e sobre bases sólidas.
Este vazio não é privilegio somente da política. Verificamos em todas as áreas e inclusive dentro das igrejas, onde o mercantilismo catequético dos pregadores constantemente substitui o ato vocacional espiritual.
Uma coisa é indiscutível em tudo: quem não consegue liderar a si mesmo, jamais vai ser líder de quem quer que seja. Mas isso não impede de a pessoa ser colocada em cargos de liderança. Seja por direito sucessório ou por condução eleitoral. Isso ocorre justamente pelo fato de a pessoa que não sabe o que significa liderar também não saber escolher as pessoas com aptidão para isso. A teoria verbalizada é diferente da pratica ativa e isso só entende quem estudou para essa identificação, ou atua em um espaço onde isso fica explicito ou ainda quem já é líder.
Para Franklin Roosevelt “o líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia”. O mesmo ex-líder americano ensinava que ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento. Daí a necessidade de saber usar as palavras certas na hora certa com os argumentos adequados. Uma vez que liderar é também educar as pessoas para isso estão no mesmo bloco.
A pandemia por si só não cria lideres, mas está mostrando as nefastas reações dos pseudos líderes de cargos adquiridos a base das mentiras midiáticas. Que Deus nos proteja!
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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