João Edisom
Há algo comum nas grandes crises políticas: governantes que já não governam atacam a imprensa como forma de tentar impor uma verdade inventada dos fatos e esconder a realidade principalmente de seus adeptos (eleitores ou apoiadores). No Brasil recente tivemos dois momentos tensos. Um ataque direto aos sistemas de comunicação, principalmente a maior, que é a Rede Globo, por parte da chamada esquerda, nos escândalos mensalão e da Lava Jato durante os governos do PT e principalmente durante o impeachment da ex-presidente Dilma.
Nas mais recentes, os extremistas adeptos do bolsonarismo também atacam os mesmos veículos de comunicação e até jornalistas (que são meros mensageiros) como forma de fazer com que certas informações não cheguem até a sociedade. A questão é: por que estes grupos desejam silêncio sobre os erros de seus ídolos políticos e querem uma imprensa que faça publicidade governamental em forma de notícia, mesmo que esta seja mentirosa - Fake News?
Na história principalmente a bíblica os profetas incluindo Jesus foram perseguidos e transformados em mártir, isto ocorreu porque insistiram em pregar ao mundo o que quem estava no poder não queria que seu povo soubesse. No século passado Hitler atacou a imprensa para impor sua verdade e usou frases comuns aos nossos dias, tais como: “Eles falam sobre liberdade de imprensa quando na verdade todos esses jornais tem um dono e, em todos os casos, o dono é o financiador. E então, essa imprensa molda a opinião pública”.
Os profissionais da imprensa erram! Os médicos erram. Os advogados erram. Os humanos erram, mas ninguém paga mais caro pelo seu erro que um jornalista. Quando a imprensa erra não somente a justiça obriga pagar em moedas, os próprios fatos reais a obrigam rever suas posições. O que não se pode confundir é opinião com jornalismo! Os veículos de comunicação contratam pessoas para opinar sobre os fatos. Isso é diferente da existência da notícia!
Ignorar que os veículos de imprensa têm dono e possuem um editorial é bobagem. Daí a necessidade e a liberdade de cada um escolher a imprensa que quer ler, assistir ou ouvir. Mas daí atacar veículos ou pessoas que transmitem as notícias é querer criar um mundo paralelo, para além das diferentes verdades visíveis. Isso fica muito pior quando o ataque parte de quem governa alguma coisa. Sinal de que ataques a comunicação tem objetivo, esconderem seus pecados.
O jornal e o jornalista não inventam notícia ruim. Elas já existem, eles apenas divulgam. Se afeta a credibilidade de seu ídolo o problema não está na informação e nem no informante, mas sim com suas escolhas protetivas de idolatrias. Quem inventa notícia não é jornalista e sim mentiroso. E quem as divulga noticia falsa é criminoso.
Por incrível que pareça, as pessoas que mais criticam a imprensa são justamente as que mais precisam dela. Ou para receber esclarecimentos sobre os fatos ou para terem suas mentiras e falcatruas reveladas para que paguem na justiça. Na história da humanidade não há governos tiranos e corruptos que não atacaram a imprensa independente e nem países que evoluíram sem a livre informação.
Em tempo, eu não sou jornalista, apenas professor de ciências políticas e ética, por isso dou opinião nestas duas áreas. Se jornalista fosse, teria muito orgulho de pertencer a uma categoria que é os ouvidos, os olhos e a voz daqueles que não tem tempo de ver. Como afirmou Thomas Jefferson: “Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa”.
O esperneio é porque todos eles sabem, esta mesma imprensa que um dia anunciou sua ascensão ao poder será a mesma que anunciará a sua queda, o poder é passageiro a comunicação é eterna. O que a imprensa registra a história perpetua através dos tempos!
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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