Alfredo da Mota Menezes
Jair Bolsonaro defendeu na campanha eleitoral uma pauta liberal para o Brasil. Se contrapunha, nos discursos e entrevistas, à pauta da esquerda. Agradou parte do eleitorado, ajudou a ser eleito. Mas, até agora, a pauta não andou.
Privatizações de empresas estatais, por exemplo. Chegou-se até a falar que, com exceção do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras, todas as outras poderiam ser privatizadas. Mostraram até as estatais deficitárias e que o governo tinha que socorrê-las para sobreviver. Essas iriam logo para a privatização, acreditava-se. Que as reformas tributária e administrativa também andariam e, estava no cardápio, a independência do Banco Central.
Falou-se muito na abertura da economia brasileira para o exterior. Numa integração com a União Europeia junto com os países do Mercosul. Também um tratado de comércio amplo com os EUA. Pensava-se que o governo iria correr atrás disso e não ficar esperando as coisas acontecerem.
Atos que, se ocorressem, colocariam empresas brasileiras, principalmente na área industrial, a competirem com o mercado aberto mundial. Algumas resistiriam e passariam a ser player global, outras desapareceriam.
São amostras da pauta liberal que se imaginava que andaria no governo Bolsonaro. Até agora não andou. Culpou o Congresso, Rodrigo Maia e a esquerda pelo não andamento das reformais liberais. Apareceu a desculpa de que Rodrigo Maia tinha feito um acordo com a esquerda para não deslanchar aquelas propostas. Maia rebateu e virou aquele angu.
Salim Mattar, encarregado das privatizações, se demitiu. A coisa não andava por mais que ele e outros quisessem. Até apontava-se o dedo para Bolsonaro pelo não deslanchar das privatizações. Que ele deveria botar a cara e defendê-las. Não fez e colocou a culpa em outros personagens.
Agora, com a eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco para a presidência da Câmara e do Senado, eleitos com forte ajuda do Planalto, não se tem mais desculpas para não implementar a pauta liberal. Se não andar agora, mata o discurso anterior de campanha e atrapalha o mesmo discurso numa nova eleição para presidente.
Estudos no exterior mostram que um dos mais graves problemas da América Latina é essa indefinição para qual lado ir, seja na política ou na economia. Candidatos ou governos falam em ir para a esquerda, outros para o liberalismo econômico. Não anda, vai até certo limite e para, recua ou muda de curso.
O único caso concreto foi o de Cuba. Tentou e tenta implementar suas ideias mais à esquerda. Para o lado do liberalismo econômico talvez pudesse citar o caso um pouco mais ousado do Chile. Mas, outra vez, apareceu algo no caminho: povo na rua, vejam só, pedindo reformas no modelo criado. O país vai realizar um plesbicito para mudar a Constituição liberal para lados mais intervencionistas. Coisas só da América Latina.
Mas, no Brasil, a desculpa acabou. Ou faz agora as reformas e avanços liberais ou vamos andar de lado como sempre. Bolsonaro assume isso ou vai também continuar andando de lado? Se não fizer, qual o discurso traria para a eleição de 2022?
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail pox@terra.com.br

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