Alfredo da Mota Menezes
Confesso que não sabia que a Holanda era grande produtor agrícola. É o segundo maior exportador do mundo, atrás apenas dos EUA. Bate o Brasil. Não produzem, como os EUA e o Brasil, soja, milho ou algodão. Concentra em cereais, cebola, batatas, verduras, frutas. A produção é tão estupenda que chega a 112 bilhões de dólares por ano de exportação. O Brasil exporta um pouco acima de 100 bilhões de dólares e os EUA 136 bilhões.
Olhem esses números. A Holanda tem pouco mais de 41 mil km2, é do tamanho do estado do Rio. Usam 10 mil km2 ou o equivalente a um milhão de hectares para ser o segundo maior exportador anual do mundo em produtos do campo. Mato Grosso usa mais de 10 milhões de hectares e o Brasil inteiro passa de 63 milhões de hectares.
Dizem que a terra mais cara do Brasil estaria ali por Ribeirão Preto e custaria algo como oito mil euros o hectare. Na Holanda um hectare custa 63 mil euros. Façam as contas com um euro valendo 6.60 reais. O tamanho médio da propriedade naquele país é de 30 hectares.
Essa revolução no campo começou no inicio da década de 1970. As propriedades estavam “morrendo” quando apareceu um plano que deveríamos, em MT e no Brasil, estudar o que houve ali.
O governo colocou no orçamento enorme quantia para as universidades da área do agro para investirem em pesquisas. Investimento pesado mesmo, com critérios rígidos para se cobrar delas e para ter resultados concretos. Começam a aparecer cultivares e sementes novas e diferentes.
A produtividade subiu enormemente. Mas perceberam, olha esta, que as descobertas não estavam chegando ao produtor. Destinaram 5% dos investimentos para essa divulgação. Foi um sucesso quando chegou lá na ponta.
Dado importante: consomem muito menos água na produção. Como exemplo, nos EUA se usa 160 litros de água para tirar um quilo de tomate, na Holanda são somente oito litros. Quer mais? O uso de pesticida quase que desapareceu pelas descobertas novas da tecnologia para o campo.
Produzem com total defesa ambiental. Se não fosse assim nem venderiam, como vendem, na Europa que condena estragos ambientais. Além disso, o país tem que se preocupar com esse lado, pois 27% do território ficam abaixo do nível do mar.
As universidades dessa área na Holanda estão recebendo estudantes do mundo inteiro. A melhor delas, Wageningen, tem 45% dos estudantes de fora, chineses à frente. Será que tem algum brasileiro lá? E de MT?
É tempo de MT e o Brasil olharem de perto o que está havendo na Holanda. Ah, aqui a agricultura é diferente de lá. Verdade, mas olhar o que houve e como funcionou o investimento em pesquisas. Aí está o xis da questão.
Entidades patronais do agro poderiam tirar dali experiências que possam ser útil para o aumento de produtividade e preservação do meio ambiente. Ou quem sabe o governo tenha interesse em trazer parte dessas pesquisas para a agricultura não extensiva no estado.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br

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