Luciano Vacari
Nos últimos 25 anos, o consumo de carnes no Brasil aumentou 32%, passando de 70,6 quilos por ano por habitante (kg/hab) em 1.996 para 93,3 kg/hab. Aves e suínos puxaram esse crescimento, com altas de 62% e de 120%, respectivamente. A carne bovina registrou queda no consumo per capita, passando de 38,8 kg para 29,3 kg, uma variação negativa de 24% no período.
Este perfil de consumo de carnes costuma ser um indicador econômico e aponta o poder de compra dos brasileiros na hora de colocar comida na mesa. Os números levantados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que ao longo dos anos houve uma mudança no padrão, aumentando o consumo de carnes de frango e suínos em substituição à proteína vermelha.
A inserção de mais carnes de aves e suínos no lugar da carne bovina está ligada à renda das famílias, que para manter o consumo de proteína, substitui a de maior valor agregado por uma barata. Este comportamento não é particular do Brasil, ele é notado em todo o mundo.
Veja o que acontece na China, o crescimento econômico do país fez com que o consumo de carne passasse de 5 kg/hab na década de 1.960 para 20 kg/hab nos anos 80 e agora alcançou o patamar de 50 kg/hab por ano, segundo dados da pesquisadora inglesa, Hanna Ritchie. Aves e suínos também predominam o consumo lá, mas os bovinos estão cada vez mais presentes nas mesas chinesas e exportação. Só o Brasil, por exemplo, aumentou sua venda de carne bovina em 821% nos últimos cinco anos, atingindo 868 mil toneladas.
Sempre que o poder de compra aumenta, as pessoas tendem a consumir mais carnes, sobretudo a bovina. Com maior custo de produção, por levar mais tempo e exigir investimentos elevados em todas as etapas produtivas, a carne bovina é mais cara para o consumidor e por isso costuma ser substituída em momentos de crise econômica e redução de renda.
Só para se ter uma ideia, em Mato Grosso, o custo de produção da pecuária de corte para ciclo completo passou de R$ 92 por arroba em 2015 para R$ 216 em 2020, uma variação de 130%, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo intervalo o preço da arroba do boi gordo foi de R$ 130 para R$ 265, alta de 103%. Ou seja, o custo cresceu acima da receita.
Neste contexto é possível observar a importância das exportações para absorver o excedente de produção da carne bovina, que cresceu 1.737% em valores e 1.171% em volume (passou 158 mil toneladas para 2,011 milhões de toneladas) entre 1.997 e 2020. Aves e suínos também registraram aumento nas exportações, porém conciliado ao crescimento no mercado interno. O que mostra uma melhor condição produtiva e de consumo.
Luciano Vacari é gestor de agronegócio e diretor da NeoAgro Consultoria.

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