João Edisom
Vivemos momentos tensos nas gestões dos países. Muito pelas atitudes do presidente norte americano Donald Trump. Mas ele não é único, não foi o primeiro ou será o último. Por isso é possível desenvolver comparações e traçar linhas de confronto entre as concepções apaixonadas e odiosas de fazer política.
Para William Hazlitt, “uma paixão forte por qualquer objeto assegurará o sucesso, porque o desejo pelo objetivo mostrará os meios”. Já o ódio... Para George Bernard Shaw “o ódio é a vingança do covarde”.
As ideologias de Estado e concepções políticas inventadas e reinventadas durante milhares de anos fazem as pessoas se apaixonarem por suas ideias e defende-las com afinco, umas mais, outras menos, mas dentro da normalidade de tentar conquistar mais adeptos para colocar em prática aquela ideia de organização social e econômica de viver.
Já o ódio não traz nenhuma ideologia de Estado ou concepção política que seja superior a imagem fixa ou palavras de uma pessoa, ditador ou populista idolatrado que cria seguidores e faz com que suas vontades ou loucuras sejam defendidas pelos seus seguidores a qualquer custo. A estes até a dor da injustiça e da morte são significantes. Tudo, absolutamente tudo, vale para defender o que desejam.
Ninguém é bom ou mau pelo que sente, o que é inevitável, mas como reage a tal condição, temperando e dosando suas atitudes e respostas ao interlocutor. A este, o apaixonado, sempre é imposto um aprendizado. O qual não se vê no odioso, pois este, diante do revés, inventa verdades, mente, dissemina seu ódio e, se possível, elimina o oponente. São capazes de matar para terem seus desejos atendidos.
Para compreender melhor estes dois conceitos aplicados à política são necessárias leituras mais profundas, junto principalmente Aristóteles e Platão, para melhor compreensão dos conceitos estoicos e platônicos.
Para tanto, há na ética aristotélica duas recusas: a de declarar guerra às paixões e a de considerar o comportamento passional involuntário. Já quanto aos estoicos e platônicos, eles consideravam a paixão voluntária e, por isso, interpretavam-na, pois é dela que se é causa perfeita.
Interessante, nesse sentido, é a distinção aristotélica entre o passional, origem da ética, e o patológico, origem do diagnóstico médico. Sabe-se quanto essa fronteira muda de acordo com as civilizações e as épocas.
Partindo destas duas premissas, poderíamos afirmar que, na pior das possibilidades, o apaixonado seria um iludido. Mas o odioso é consciente e desejoso de suas maldades, uma vez que é egoísta é só a sua satisfação é importante já que dentro dela contém a dor dos outros e a magnitude de ter levado vantagens, não se importando com as regras. Quanto mais sujo e mentiroso o jogo mais satisfação traz. Por isso não se envergonham com atitudes covardes.
Por isso gestores apaixonados criaram grandes nações, desenvolveram e lideraram países ao desenvolvimento harmonioso, apesar das adversidades e contradições inerentes a própria condição humana, nunca foram unanimidade e quase sempre foram reconhecidos somente pela história.
Os gestores odiosos, ao contrário, têm projeção pela força e pelas mentiras inventadas. Foram idolatrados ainda no poder, causaram destruição e sofrimento e hoje são personas espúrias nos registros históricos.
O mundo é para todos. Isso significa saber conviver com os que pensam diferente, e não os eliminar. Então porque muitas vezes cultivamos o ódio? Para Fiódor Dostoiévski “as vezes o homem prefere o sofrimento à paixão”. Quando esse sentimento atinge a maioria, democraticamente conduzimos ao poder gestores que melhor representam nosso ódio, mas nem sempre aguentamos as consequências, e nem todos sobrevivem para reverter as atitudes desnecessárias.
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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