Alfredo da Mota Menezes
Na semana passada o TCU negou pedido que tentava barrar a extensão da concessão da Malha Paulista para o grupo Rumo Logística que tem o controle da ferrovia Rondonópolis a Santos. O TCU já havia aprovado a concessão, mas ações surgiram tentando atrapalhar esse assunto. Morreu naquela decisão.
A discussão sobre essa concessão vem desde 2018 quando a Antt ou Agência Nacional de Transporte Terrestre deu parecer favorável. Foi para o TCU e depois de quase dois anos finalmente desamarraram o nó.
Ganhou agora a extensão da concessão daquele trecho da ferrovia de 2028 para 2058. Falam em investir seis bilhões de reais para melhorar aquela malha. Ela é antiga, precisa de muitas mudanças e passa dentro de cidades o que atrapalha a velocidade do trem.
A Rumo Logística transporta hoje 30 milhões de toneladas. Com a concessão e os investimentos pretende transportar acima de 60 milhões de toneladas. Para atingir essa quantia a ferrovia não pode ficar somente em Rondonópolis. Tem que ir mais longe, falam em chegar a Lucas ou mais 520 quilômetros de nova ferrovia.
Seriam investidos quatro bilhões de reais nesse trecho. Falam que o serviço seria feito concomitantemente com a da malha paulista. Não é terminar um e começar o outro. Seriam os dois trabalhos ao mesmo tempo.
Ocorrendo isso a ferrovia passaria perto de Cuiabá. Com ferrovia se pode pensar em ter aqui uma agroindústria. Ou ser Cuiabá um polo de distribuição de bens para Acre, Rondônia e sul da Amazônia.
Também se falou na semana que passou que deve sair, no primeiro trimestre do ano que vem, a licitação da Ferrogrão ou a ferrovia entre Sinop e Miritituba no chamando Arco Norte. Ela transportaria no início cerca de 15 milhões de toneladas, podendo chegar a 40 milhões até o ano de 2050. Carga não faltaria para as duas ferrovias. Diz o Imea que em 2028 Mato Grosso estará produzindo mais de 100 milhões de toneladas de grãos.
A Ferrogrão tem a vantagem de estar mais perto do Canal do Panamá. Dizem os entendidos em logística que a viagem à China encurtaria em até quatro dias. A Rumo Logística tem a vantagem de passar em centros urbanos e poderia levar e trazer bens industrializados. Não seria o caso da Ferrogrão. Carga de retorna dela na maioria deve ser fertilizantes ou herbicidas.
Se as duas ferrovias saíssem, uma para Santos e outra pelo Norte, acabaria o problema de transporte para MT. A tendência da produção seria até aumentar mais. E o produtor ganharia na escolha do melhor e mais conveniente frete. Economizando, ficará mais dinheiro circulando no estado. A economia se beneficia, portanto.
Mas será mesmo que saem as duas? É que o capitalismo brasileiro é estranho. Não gosta de competição. Duas ferrovias num mesmo estado competindo duramente por carga e baixar frete? Tem duas ferrovias, com donos diferentes, competindo entre si em algum outro lugar do Brasil?
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br Site: www.alfredomenezes.com

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