Onofre Ribeiro
Pretendo escrever uma série de artigos abordando questões que inevitavelmente estão ligadas à passagem do corona vírus sobre a humanidade. Por exemplo, o conceito vai neste artigo. Em outros, o emprego, as tecnologias, os comportamentos, a economia, a política.
De tempos em tempos a humanidade em particular, ou o planeta, sofrem transformações profundas capazes de mudar todos os aspectos da vida e da própria existência das espécies e dos ecossistemas.
O corona vírus é um desses. O planeta entrou em profundas contradições ao longo do século 20, com guerras gerais e com a introdução dos sistemas tecnológicos que colocaram o ser humano em cheque com ele mesmo. Consequência das duas guerras de 1914-1918 e 1939-1945, o mundo saiu transformado e os conflitos se mantiveram com caras diferentes. A estabilidade mundial foi sacrificada em nome das tensões bélicas que agregaram ideologias e interesses econômicos. O mundo virou um barril de pólvora.
Finda a guerra fria em 1990, surgem as tecnologias eletrônicas, hoje digitais, que passaram a comandar as atividades humanas e depois, através de grandes sistemas como a inteligência artificial, a robótica, a internet 5G e o big data,. Surgiram os sistemas que, gradualmente, afastaram as pessoas do centro das ações da economia, da política e dos comportamentos. E o pior: as afastaram das relações humanitárias. No lugar, sistemas eletrônicos-digitais chamados de redes sociais.
Os novos comportamentos sociais migraram da linguagem consagrada ao longo de milhares de anos, para os algoritmos comandados pela inteligência artificial. Aos poucos as pessoas se afastaram de si mesmas. Sem contar do coletivo e das famílias. Construiu-se uma família humana digital baseada no indivíduo.
É nesse ambiente de desumanização dos humanos, que aparece um salto civilizatório, daqueles que citei no início. Veio na forma de um vírus que usou o efeito reverso do sistema de comunicação eletrônico-digital pra se espalhar à velocidade da luz por todo o mundo. Aí está. O mundo de joelhos diante de um vírus invisível que mais parece uma lenda.
As consequências vieram na forma de isolamento social, de isolamento comercial, do fechamento de empresas, de negócios e a demonstração da fragilidade dos sistemas mundiais de saúde.
Um novo mundo vai emergir das águas profundas do medo coletivo. Uma sociedade mais coletiva do que individual. Junto emergirão novos valores que gostaria de citar como fundamentais daqui pra frente: compaixão, senso de coletividade, olhar humano das pessoas sobre si mesmas. Novas relações sociais e de trabalho.
Tudo se resume num único conceito: total reinvenção!
O assunto continua amanhã.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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