Carlos Roberto Leão
Falta bem pouco para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quando mais de 5,5 milhões de pessoas farão provas em 1,7 mil municípios em todo o país - quase 60 em Mato Grosso. Apesar de a avaliação não aprovar ou reprovar ninguém, está em jogo o futuro do estudante, pois a pontuação obtida é que vai determinar a conquista da tão sonhada vaga naquela universidade. Ou mesmo uma boa classificação em programas do Governo Federal para acesso ao Ensino Superior.
A concorrência, portanto, é grande e para obter uma boa pontuação é preciso mais do que estudar, estar com as matérias na “ponta da língua”, como se dizia antigamente. É necessária também uma boa dose de estratégia. Pecar nos detalhes pode ter um grande peso no final das contas. Às vezes coisas simples, que consideramos básicas, podem não ganhar a devida atenção e prejudicar o candidato. Vemos isso todos os anos, não é mesmo?
Por exemplo, perder a hora de entrada no local de prova. Este ano, especialmente, é bom redobrar a atenção, pois no mesmo dia entrará em vigor o Horário Brasileiro de Verão. Não se trata apenas de acertar o relógio físico. É preciso atentar para os efeitos da mudança no relógio biológico. Outros pontos importantes: o aluno deve fazer uma refeição leve e observar bem no seu cartão onde é o local da prova. O ideal é fazer o percurso antes, para saber onde fica, conhecer o caminho para não se perder.
Bem, o aluno chegou no horário, está com o documento exigido e a caneta com tinta de cor preta e corpo transparente na mão. O foco, então, deve ser em como obter o melhor desempenho nas provas. No primeiro dia, além de matérias como Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, Ciências Humanas e Suas Tecnologias, há também a Redação.
A dica é dar prioridade a ela, mas não passar a limpo imediatamente após terminar de escrever. Faça a prova de Linguagens primeiro, porque esse tempo de distanciamento do texto pode ajudar a observar, identificar alguns equívocos, principalmente no que diz respeito à grafia, para não cometer erros.
Já em relação às questões, identifique aquelas mais difíceis e marque-as. Pode ser com um ou dois “x”, só para você lembrar de retomá-las mais na frente e não perder um tempo precioso.
Como o Enem segue a Teoria de Resposta ao Item (TRI), é importante observar isso. Se no desespero você “chutar” nas questões fáceis, o algoritmo vai entender que as questões difíceis que acertou foram ao acaso também. Então, em primeiro lugar, olhe todas as questões, tenha essa preocupação de direcionar o tempo corretamente. É uma prova que envolve estratégia, concentração e, claro, muito treino, com os simulados no momento da preparação.
É importante também estar munido de informações para construir um bom texto. Atente para alguns temas cuja probabilidade é grande. O número é infinito, mas olhando para o histórico do Enem, a gente percebe, por exemplo, que o exame procura dar visibilidade às minorias. Ainda não apareceu nenhum tema sobre a questão indígena, que é importante para a sociedade brasileira desde a época do Descobrimento. É um assunto bastante plausível, assim como os relacionados ao aumento das DSTs entre jovens brasileiros e à era da “pós-verdade” e das “fake news”.
O protagonismo juvenil também. Muito tem se falado sobre isso, a própria reestruturação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) mostra preocupação com esse tema.
No mais, é manter a calma e focar no que se quer para o futuro. Para a grande maioria dos estudantes o Enem é o primeiro grande desafio da vida. E como tal deve ser encarado, com seriedade e consciência. E, evidentemente, uma boa preparação prévia faz toda a diferença.
Carlos Roberto Leão é professor e diretor do Colégio Maxi.

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