Oscar D'Ambrosio
Não é de hoje que palavras servem para esconder a falta de ação. Um exemplo é o termo ‘disruptivo’. Costuma ser utilizado, no mundo corporativo e da arte, como o ato de provocar ou de apontar para uma disrupção, ou seja, a interrupção do seguimento normal de um processo.
Nesse contexto, é claro, a capacidade de romper ou alterar algo que está em andamento geralmente é visto de maneira positiva. O termo Tecnologia Disruptiva, por exemplo, está consagrado como uma designação atribuída a uma inovação tecnológica, seja produto ou serviço, capaz de derrubar uma tecnologia já preestabelecida no mercado.
Até aí estamos indo muito bem. Existe a necessidade permanente de inovações criativas que tragam melhorias para as pessoas e para a sociedade. Porém, como fica o uso desse conceito em nosso cotidiano? Assim como alguns outros termos, é uma beleza utilizá-lo nas reuniões, mas a situação pode ficar complicada se alguém pedir uma definição mais aprofundada e, principalmente, se o desafio for sair do mundo das ideias e mergulhar na ação.
Um fato interessante é que, muitas vezes, quem gosta de usar a palavra ‘disruptivo’ traz consigo alguns outros termos que surgem praticamente como vícios de linguagem. Um deles é o termo “clareza”. Quem mais fala do que pratica a disrupção geralmente afirma que tem muitas coisas ‘claras’. E, quanto mais fala em ‘clareza’, mais tudo vai ficando nebuloso e escuro, pois quem acha que vê com clareza o que chamamos realidade vive em opacidade. E nada está mais longe da autêntica e positiva disrupção...
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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