Lourembergue Alves
Vive-se em ano político-eleitoral. Exatamente em uma fase importante que antecede o jogo propriamente dito. Fase que sempre existiu. Inclusive em importância. Riquíssima e necessária. Curiosamente, chamada pela legislação de pré-campanha. É imaginável o poder imaginativo do legislador. Tudo para ludibriar as regras existentes. Pois, agora, permite-se que o político possa se apresentar como pré-candidato. Só não pode pedir votos (risos). É um absurdo – para não se dizer aqui um palavrão. O absurdo se torna bem maior quando se percebe que, na prática, não existe a figura do pré-candidato no país, até porque inexiste uma disputa dentro de cada agremiação partidária, com vista a ganhar a condição de candidato, a exemplo do que há nos Estados Unidos.
Fora isso, tudo está dentro dos conformes, com conversas, negociações e costuras de alianças. E, neste quadro, um caminhão de possibilidades, sempre tendo os nomes, jamais conteúdos, projetos alternativos, os quais são jogados para um futuro que nunca virá (daí a improvisação na administração). Tudo, portanto, gravita em torno ou de Fulano, ou de Beltrano ou de Sicrano.
E, nessa toada de uma nota só, surgem teses mirabolantes, ideias falaciosas e um plano de como um dado candidato poderá se chegar à vitória ao governo do Estado. Seguindo tal plano, o republicano desistiria de ser candidato (ele não aceitou, claro). Otaviano Piveta também abriria mão de ser cabeça de chapa, e passaria a ser vice-governador na chapa do democrata Mauro Mendes. Haveria desse modo, uma aliança de forças contra o Pedro Taques. Ocorreria, na prática, uma união de forças de oposição, dizem alguns políticos.
Acontece, porém, que apenas o Wellington Fagundes (PR) sempre esteve do lado oposto, desde as eleições de 2014. Diferentemente do PDT, do Zeca Viana, que se tornou oposicionista com a migração do governador para o PSDB. Não era. Já o DEM sempre esteve na atual situação. Até mesmo os rebeldes do PSB, que se filiaram recentemente na sigla democrata, eram situacionistas.
Portanto, se a tal aliança ocorresse, não seria de forças oposicionistas, mas isto sim uma mistura dos que se foi, embora ainda estando, com quem não eram. Juntos para não perderem a boquinha do poder de mando. Ao ocorrer tal união, reduziria o número de candidatos, e a redução tende a fortalecer o atual governador, que tem: (1º.) a máquina na mão, (2º.) o pró-família e, (3º.) a caravana da transformação (com cirurgias de cataratas, por exemplo). Estas cirurgias e o pró-família têm um peso eleitoral significativo, que se amplia com o desempenho da SINFRA. Terão mesmo com um maior número de nomes na disputa. Com maior número, dificulta a superação dos problemas por parte do governador.
O retrato político-eleitoral deste ano é completamente diferente do de 2014. Eleição em que a situação da época (que agora é oposição) jamais deveria se dividir em duas ou mais candidaturas. O PSD saiu primeiro com o José Riva, substituído por Janete Riva, e o PT, que comandava Secretaria de Educação nos governos Blairo Maggi e Silval Barbosa, apresentou-se com Lúdio Cabral. Dividiram-se os votos, e, com isso, enfraqueceram-se na disputa. O que favoreceu ainda mais o candidato pedetista, Pedro taques, que, na oportunidade apareceu acompanhado de treze partidos. O quadro de 2018 é completamente diferente. Ler o cenário de hoje com os olhos de 2014 é desconhecer a contextualização e os fatores que compõem o presente cenário político-eleitoral. É isto.
Lourembergue Alves é professor universitário e analista político.
E-mail: Lou.alves@uol.com.br.

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