Da Redação - FocoCidade
Diante da crise no país na esteira da greve dos caminhoreiros, o senador Wellington Fagundes (PR) cobrou o cumprimento da legislação. Ele lembrou que em 2015 foi votada, após entendimento, a Lei 13.103 – a chamada Lei dos Caminhoneiros, mas que o Governo “não deu sequência àquilo que trabalhamos”.
Ele citou como exemplo, a exigência de implantação das chamadas áreas de descanso nas rodovias, que acabou não saindo do papel. “Pelo que sei, iniciou-se uma construção em Santa Catarina, e não está concluída” – destacou.
“Ou seja, a gente discute muito, vota, e o Governo não dá sequência, por isso acaba acontecendo um descrédito. Então, por isso, quero trazer aqui a razão também dos caminhoneiros, porque aquilo que foi votado, que foi negociado também não foi cumprido por parte do Governo, para trazer mais estabilidade e mais condições para o nosso caminheiro brasileiro” – disse.
Desabastecimento
O risco de desabastecimento vivido pela população em função da greve dos caminhoneiros, que já completou quatro dias nesta quinta-feira, 24, está gerando uma onda de ‘aproveitadores da crise’ e que precisa ser combatida duramente.
O alerta tamném foi pontuado pelo parlamentar, líder do Bloco Moderador, duramente debate em plenário. Ele defendeu a ampliação e a intensificação de diálogos com os segmentos envolvidos porque há risco até mesmo de “uma convulsão social”.
Fagundes confirmou que nesta sexta-feira, 25, o Senado Federal deverá apreciar medidas que possam encaminhar solução para a paralisação. Desta forma o republicano cancelou parte da agenda prevista para o Estado. “Vamos buscar um entendimento. Essa questão é prioritária” - disse. Wellington disse que a alta do preço dos combustíveis tem um “impacto muito maior” em Mato Grosso, em função da produção agrícola e pecuária do Estado.
Segundo o senador, está havendo abusos em todo o Brasil, como no caso da revenda de combustível. Em vários postos, o litro da gasolina chegou a ser comercializado a R$ 9,99 o litro. “Não podemos permitir que neste momento os aproveitadores da crise se beneficiem” – disse, em aparte ao pronunciamento da senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS). “O consumidor hoje está sendo lesado” – acrescentou.
Ele também informou que tem procurado discutir alternativas com vários segmentos desde que o movimento dos caminhoneiros foi deflagrado, no começo desta semana. Inclusive no âmbito da distribuição de combustível. O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (SindPetróleo), Nelson Soares Júnior, por exemplo, alertou para o risco de calamidade pública em função do desabastecimento.
“Não haverá combustíveis para ambulância, viatura da Polícia Militar, gerador de hospitais, fora o estrago em granjas e outras atividades que dependem de insumos que estão presos nos bloqueios” - assinalou. Segundo relato de Soares, grande parte do Estado já está sem combustível e alimentos. “Em Cuiabá - disse o senador - há filas enormes nos postos. A situação é crítica”. Ele também tem mantido diálogo com o ministro dos Transportes, Valter Casimiro Silveira, que, por sua vez, esteve reunido com a Presidência da República. “Todos estão sendo atingidos por essa paralisação e os prejuízos são incalculáveis” – observou.
A greve dos caminhoneiros foi deflagrada contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras, em vigor desde julho de 2017. Na quarta-feira, 23, as empresas transportadoras de carga aderiram ao movimento dos caminhoneiros, que até então era predominantemente conduzido pelos autônomos. (Com assessoria)

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