Da Redação - FocoCidade
O índice de abstenção nos resultados das eleições, em ordem crescente, é um alerta à classe política sobre a negativa dos eleitores em relação ao processo e ainda pode ser interpretado como descrença com o sistema e seus representantes.
Uma análise desse quadro é pontuada pelo advogado especialista em Direito Eleitoral, Hélio Ramos, que se atém à “alienação eleitoral e diminuição do quociente eleitoral nas Eleições 2018”.
O advogado considera que a abstenção é ponto de estudos. “Por que se abstêm os eleitores? A questão tem ocupado os analistas do comportamento eleitoral do eleitor, inclusive diante do grande número de pessoas que deixaram de participar dos últimos pleitos, as campanhas passarão a ter que trabalhar também estratégias para convencer a população de votar, o que por certo faz com que aqueles, que tem algum tipo de comprometimento com a política, tenham uma maior força dentro do processo eleitoral, diminuindo a capacidade de mudança dos outros que realmente querem o novo.”
Os estudos sobre a abstenção que utilizam dados a nível individual têm relacionado o comportamento abstencionista com três ordens de fatores: “em primeiro lugar, indivíduos que dispõem de maiores recursos são vistos como tendo também maior capacidade e propensão para exercer o direito de voto. O segundo fator explicativo da abstenção diz respeito ao grau de integração social: maior integração social tende a gerar maiores níveis de participação eleitoral, e em terceiro lugar, a participação eleitoral tem sido relacionada com as atitudes e valores políticos dos indivíduos”.
De acordo com o especialista, “a alienação eleitoral registrada nas últimas eleições e que tende a subir em 2018 só tem um beneficiário: a atual classe política. Nos últimos anos, de eleição pra eleição, em todo o país, mais cidadãos optam por não participar do sufrágio, não nominando seus votos para um candidato ou uma legenda partidária, ou votando em branco ou anulando seu voto. Foi o que fizeram 63% dos eleitores nas capitais brasileiras, em um comportamento que é chamado de “alienação eleitoral”. Para políticos e especialistas, a expectativa é que nas eleições de 2018 a participação do eleitor no jogo político seja ainda menor, mesmo com a intensa e acalorada discussão existente nas redes sociais”.
O quadro de Cuiabá, conforme acentua Hélio Ramos, é um exemplo desse cenário. “Vejam o caso de Cuiabá com 415.098 Eleitores aptos a votar nas eleições de 2016, tivemos um comparecimento de 310.863 eleitores (74,89%), onde computamos Emanuel Pinheiro (MDB), eleito com 157.877, 60,41 % dos votos válidos e Wilson Santos (PSDB), não eleito 103.483, 39,59 % dos votos válidos, sendo votos válidos: 261.360 (84,08%), e somados votos brancos: 12.909 (4,15%), votos nulos: 36.594 (11,77%), abstenção: 104.235 (25,11% ), totalizamos 153.738 ‘votos perdidos’, quase empatando com o eleito”, assinala citando a fonte de dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Destaca ainda outro ponto a ser analisado. “Mesmo com o crescimento do número de eleitores, os quocientes eleitorais para os cargos proporcionais, tem diminuído”.
O quadro abaixo pontua esse contexto:
“O que claramente se extrai, é a falta de motivação do eleitorado para a participação no processo político, pode implicar numa perda de representatividade dos eleitos, eis que a projeção é de diminuição, contudo, o declínio da participação do eleitor, sugere que a chave para a compreensão do fenômeno da abstenção, poderá estar em mudança nas atitudes políticas que atravessam extratos sociais, econômicos e educacionais, tais como o desalinhamento partidário e a diminuição da confiança em relação ao sistema político, ou seja, a classe política deve repensar o jeito do fazer o processo eleitoral, ou se afundar tentando.”

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