Onofre Ribeiro
Neste momento em que o caixa dos municípios e do governo do estado padecem enorme pobreza, não cabe mais buscar soluções simplistas de aumentar impostos sob alguma razão possível. Sempre foi assim. O momento é sensível. Os municípios estão vivendo período de intensa pobreza, especialmente os pequenos. Os grandes enfrentam o problema, mas tem força política. Já o governo estadual que fica no meio entre os municípios e a União, padece grande crise de caixa. No conjunto, a gestão pública empobreceu e não pode mais consertar seus furos de caixa aumentando impostos. Um baita problema!
Na semana passada tive uma longa conversa, a meu pedido, com o superintendente do IMEA – Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, Daniel Latorraca, pra conhecer os números do agronegócio. O IMEA conquistou grande confiabilidade no mercado estadual e nacional. A razão da conversa são as seguidas teses de que o agro não paga impostos ao caixa do estado e dos municípios. Por isso deve ser taxado direta ou indiretamente. Pela via direta ele paga o ICMS dos grãos e carnes que são negociados no mercado interno. O que exporta é beneficiado pela isenção da Lei Kandir. Paga o Fundo Estadual de Habitação e Transportes em duas versões. Somou R$ 1,2 milhão em 2016, independente da arrecadação direta e da indireta do ICMS do consumo.
Aqui entramos num universo nebuloso. De um lado o agro argumenta que paga indiretamente muito imposto. De outro o estado diz que perdeu R$ 40 bilhões em ICMS com a Lei Kandir desde 2000. O agro diz que gerou uma enorme riqueza indireta na economia estadual, através de 259 mil empregos e do ICMS recolhido pelo comércio de varejo, combustiveis, máquinas, carros e outros produtos do consumo popular. Daniel Latorraca mostrou-me o número: o agro gerou 50,6% do ICMS do estado no ano de 2015, que foi um bom ano agrícola. Foram R$ 4 bilhões no total de R$ 7,9 bilhões. Os números contradizem a Fundação Getúlio Vargas, contratada pelo governo de MT que disse que a soja sozinha arrecadou só 5% do ICMS estadual no exercício de 2011 tomado como base de cálculo.
O cenário do agro tem uma série histórica que vem de altos e baixos desde 2005. Como depende de fatores internos e externos e do câmbio, o setor teve estagnação em 2011 e 2012, leve queda em 2015, leve alta em 2016 e 2017 está em aberto.
Dessa forma, questionar impostos é uma coisa. Questioná-los sem questionar outros fatores da gestão pública parece arriscado, até porque o agro é o setor que vem crescendo seguramente no estado. A tese que será desenvolvida em outro artigo será o planejamento pra que o agro entre na fase virtuosa da transformação, gerado forte de empregos bons. De tecnologia e de impostos do valor agregado.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Golpe do falso advogado: TJ barra descontos de empréstimo
Operação apreende mais de 540 kg de cocaína na fronteira
PC prende acusado de série de crimes contra motoristas de aplicativos
Ministro anuncia renovações automáticas de CNH para bons motoristas
Estudo aponta aumento de preço da cesta básica: mais de R$ 800
Operação da PM derruba tráfico de drogas em Várzea Grande
Vitória para Mato Grosso. Conquista para o Brasil!
IPCA vai a 0,33% em dezembro e fecha 2025 em 4,26%, abaixo da meta
TJ crava: desconto em conta salário é considerado indevido
Comer errado