FOLHAMAX - DIEGO FREDERICI E CARLOS DORILEO
O empresário Ricardo Sguarezi afirmou em depoimento a juíza Selma Rosane Santos Arruda nesta terça-feira (6) que o ex-secretário de Educação (Seduc-MT), Permínio Pinto Filho, era contra o pagamento de propina realizado por empresários que prestavam serviços à pasta a agentes públicos – e que em troca recebiam informações privilegiadas sobre licitações.
Sguarezi explicava que, com a troca de governo ocorrida entre 2014 e 2015, no início da gestão do governador Pedro Taques (PSDB), Luís Fernando Rondon, proprietário da construtora Luma, o havia convidado para participar das reuniões onde informações sobre licitações na Seduc-MT eram trocadas entre os empresários.
Numa dessas reuniões, Sguarezi afirma ter conhecido o ex-assessor e homem de confiança do Secretário, Fábio Frigeri. Ele teria passado ao empresário o contato do também empreiteiro Giovani Guizardi, apontado como o operador do esquema desbaratado com a “Operação Rêmora”.
Sguarezi relata em seu depoimento que havia se negado a entrar em contato com Guizardi. Porém, foi advertido por Fábio Frigeri que se não falasse com o empresário “não iria receber”.
Frigeri se refere ao pagamento por serviços já realizados na Seduc-MT. Segundo investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os empresários só recebiam quando repassavam as propinas que eram distribuídas ao grupo.
Ele afirmou que os primeiros quatro pagamentos de propina foram feitos a Fábio Frigeri, que indicou a necessidade do pagamento da vantagem ilegal de outra empresa de Sguarezi – a Relumat -, em favor de Giovani Guizard.
Ricardo Sguarezi disse que relatou o caso ao ex-secretário Permínio Pinto. Segundo ele, o ex-chefe da Seduc-MT disse que “não era para pagar porque não ia permitir isso na pasta”.
O empresário, no entanto, afirmou que continuou realizando o pagamento da propina pois Frigeri, que era assessor de Permínio, “continuou dizendo que era para pagar”.
Mesmo relutante no início do esquema, Sguarezi afirma que realizou o pagamento de propina a Giovani Guizardi, totalizando R$ 125 mil. Porém, ele sugeriu que o valor combinado era R$ 120 mil, e que os R$ 5 mil a mais foram um “agrado”.
No depoimento a Selma Arruda, o empresário disse desconhecer que o esquema teria ocorrido na gestão passada. “O esquema da Rêmora começou neste Governo”, declarou.

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