Fabrício Carvalho
A caminho de Cáceres, onde iria participar da inauguração da sede própria do Sebrae na cidade, no bairro Jardim Celeste, estive pensando nas oportunidades de desenvolvimento e riqueza que aquela região oferece no contexto de Mato Grosso. São muitas, na verdade. E a maior delas, sem dúvida, atende pelo sugestivo nome de ZPE.
A Zona de Processamento de Exportação, cuja história vem desde o governo José Sarney, quando o governador do Estado era Carlos Bezerra, finalmente pode se tornar realidade, até porque entendo que Mato Grosso, hoje, não tem saída melhor que essa para dar um impulso maior à industrialização. Aprofundando, essa industrialização trará a curto prazo melhores salários para o trabalhador mato-grossense e condições sustentáveis de crescimento ao Estado.
Com a ZPE funcionando, muitos são os fatores capazes de fazer turbinar a economia da região, incluindo, além de Cáceres, municípios como Vila Bela da Santíssima Trindade, Pontes e Lacerda, Jauru, Mirassol D’Oeste, São José dos Quatro Marcos, Araputanga, entre outros. O certo é que a região como um todo será impactada positivamente com a implantação desta Zona de Processamento de Exportação baseada na Princesinha do Paraguai e tendo como suas principais vias de escoamento da produção a hidrovia do rio Paraguai que vai aos países do Mercosul e a rodovia nos ligando aos nossos vizinhos andinos, além de possibilitar a tão sonhada saída para o oceano Pacífico. Com a ZPE, Mato Grosso passa a ter acesso direto ao mercado andino que possui um PIB de quase 1 trilhão de dólares, num universo de 145 milhões de pessoas.
Com a ZPE em funcionamento, o produtor, o empresário poderá aproveitar os incentivos fiscais do governo do Estado e da União e linhas de financiamento para instalar, por exemplo, uma indústria de calçados processando o couro abundante da região (Cáceres é o município líder em rebanho bovino de Mato Grosso, com 1,024 milhão de cabeças), ao invés de ‘exportá-lo’ in natura para as fábricas de Franca (SP) ou Novo Hamburgo (RS). Ou montar uma indústria de tecidos e confecções para processar localmente o seu algodão ao invés de mandá-lo em pluma para Americana (SP) ou Fortaleza (CE).
Com a ZPE funcionando, a produção de toda a região Oeste será impactada e deve crescer e se diversificar para atender à demanda, hoje muito concentrada na pecuária. Ou seja, a vocação agrícola de Mato Grosso também ali passa a ser uma realidade.
E, por fim, o próprio perfil empresarial da região deve mudar. Hoje, segundo dados do Sebrae, as micro e pequenas empresas ali representam 97% do total, 2% são médias e apenas 1%, grandes. Com a ZPE, o número de grandes, sobretudo, deve aumentar significativamente, agregando mais valor à economia macro e mais renda e bem-estar às famílias, às pessoas em geral.
Por isso, sou um entusiasta da instalação e do funcionamento da ZPE de Mato Grosso, em Cáceres. Penso, efetivamente, que nós, governo e população de Mato Grosso não temos hoje nenhum direito de desperdiçar esta saída.
Fabrício Carvalho, maestro, é secretário de Articulação e Relações Institucionais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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