Onofre Ribeiro
Há 15 dias o amigo Serafim Carvalho Melo, convidou-me e alguns outros amigos interessados no tema integração sulamericana aqui a Oeste de Mato Grosso, com Bolívia e região andina. O encontro foi na Federação das Indústrias de Mato Grosso, através do próprio Serafim e do centro Internacional de Comércio da Fiemt. Também estava Alfredo Menezes e o professor Luiz Miguel da Miranda, da UFMT, históricos interessados na integração, o professor Leôncio Pinheiro representando a Assembléia Legistiva e Rita Chilleto representando o governo de Mato Grosso. O assunto começou lá atrás, em 1986 com os irmãos José Márcio, José Esteves e Pedro Lacerda, de Cáceres, e ganhou forte terreno até o governo Dante de Oliveira, em 1995, do qual José Márcio era vice-governador.
No primeiro momento, a tese foi de encontrar uma saída desde Mato Grosso até o Oceano Pacífico. Depois evoluiu para uma integração comercial e turística entre os países da região: Brasil, Bolívia, Chile, Peru, nortes da Argentina e do Chile. Mais tarde evoluiu de novo para, além da integração comercial, unir os interesses econômicos desses países num mundo em profundas mudanças econômicas, incluindo o fim da globalização.
Hoje tudo isso permanece, e somam-se ainda outros fatores atuais e outros da conjuntura futura. O Mato Grosso de 1986 quando o tema surgiu, não tinha produção expressiva de produtos exportáveis como tem agora. Hoje produz commodities agrícolas das quais 75% são exportadas. E aumenta a cada ano até a estimativa de 2025 em 89 milhões de toneladas de grãos. Naquela época não se falava em China, hoje o maior comprador dos grãos e com imenso problema de segurança alimentar.
Porém, entre todos os novos itens que justifica a retomada do assunto integração sulamericana, é o melhor aproveitamento da logística que na época era muito resumido. Falava-se tão somente na extensão do asfalto da BR-070 de Cáceres a San Mathias, na Bolívia, e de lá até Santa Cruz de La Sierra, dos quais 400 km não eram pavimentados. Atualmente, a logística mudou e os interesses mudaram também. As forças políticas e econômicas tem outra cara. A entrada da China no mercado mundial como compradora compulsiva de alimentos, muda o campo das estratégias. De um lado, ela compete diretamente com as trades norteamericanas predadoras e impiedosas. De outro ela está disposta e investir pesado em plantas de beneficiamento de grãos regionais e na infraestrutura ferroviária e, quem sabe, hidroviária e rodoviária.
Por fim, a Zona de Processamento de Exportações – ZPE, em Cáceres, deixou de ser uma utopia e caminha rapidamente. Tudo isso somado dá à integração sulamericana uma cara de realidade inevitável no médio prazo. Voltarei ao assunto.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onoferribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

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