• Cuiabá, 19 de Setembro - 00:00:00

Qualidade de obras de arte

Em relação aos critérios estabelecidos para a qualificar obras de arte, muito já se disse e poderá ser dito sobre o assunto. Três pontos, porém, são essenciais para estabelecer algum raciocínio crítico sobre o assunto, sempre numa ótica construtiva, que estabeleça e estimule o diálogo.

Um primeiro ponto está no impacto que um trabalho causa no observador. Trata-se de algo subjetivo, mas que passa pela discussão de como a obra de arte, numa sociedade massificada como a contemporânea, pode ainda exercer um papel polêmico e indagador. Nesse sentido, o trabalho que motiva novos olhares e observações seguidas leva vantagem.

Um segundo ponto está na técnica, ou seja, na habilidade do fazer. É um critério mais frio, relacionado com a fatura, com o domínio de procedimentos. Geralmente envolve, da parte de quem faz, mas racionalidade e planejamento, tanto no sentido do que é pensado como no do que é executado e passado à frente.

Um terceiro ponto é a criatividade, entendendo-se aí a capacidade de surpreender, de pensar e de fazer o inusitado. Nesse aspecto, é essencial abrir mão de ideias preconcebidas na linha de que “tudo já foi feito”. A capacidade de inovar existe sim e precisa ser estimulada e valorizada.

Ao associar impacto, técnica e criatividade, a obra de arte atinge seus momentos mais significativos. Não se trata de uma fórmula matemática, mas de uma equação de saberes sentidos, adquiridos e vivenciados. Isso significa que o trabalho artístico não é um bem em si mesmo.

A partir do que cada um já conheceu, uma nova obra é experimentada e a visão resultante é um exercício permanentemente renovado entre as experiências passadas e as presentes, na busca de trabalhos progressivamente impactantes, bem construídos e criativos.

 

Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.



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