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11 Aug 2026 08:15

Brasil 1, Brasil 2

Brasil 1, Brasil 2
Onofre Ribeiro 1 Crédito: Reprodução

As eleições de 2026 vão encontrar um país que se dividiu. Antes era só a polarização política. Agora é uma inevitável divisão de personalidades. Há dois Brasis convivendo já há alguns anos.

O Brasil 1 está ligado à sociedade e aos setores produtivos. É conhecido pelo que produz, pelo que inova, pelos empregos e renda que gera e pela capacidade de empreender. É quem sustenta a balança comercial do país, arrecada os impostos e enfrenta a burocracia governamental. Antes, era quem financiava a política e os mandatos dos políticos mediante o financiamento das candidaturas. Hoje não mais. Perdeu esse poder para a burocracia do fundo partidário e da fiscalização judicial-eleitoral.

Já o Brasil 2 é o Brasil do Estado. É formado pelos chamados poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário. Esses são os poderes que governam o Estado e deveriam manter o país vivo e funcionando, segundo a Constituição de 1988. Lembrando aqui que essa Constituição foi concebida num momento de revanche logo após o fim do regime militar em 1985. A eleição de 1986 elegeu um Congressos Nacional Constituinte para escrever a carta que ainda dura até hoje.

Houve absoluto domínio da ala progressista da época, comandada pelo MDB, que era o guarda-chuva de todos os partidos de esquerda. Foi concebida sob ampla concepção socialista: direitos sobrando e deveres faltando aos cidadãos. E deu aos poderes da República o poder de construir uma nação em que o Estado aos poucos ficaria muito grande e engoliria tanto a sociedade quanto a economia.

Neste momento está mais do que claro que o Estado engoliu tudo. É uma máquina pública pesadíssima, caríssima, burocrática, ineficiente e inibidora das ações do Brasil 1. Sem contar que o Estado inteiro corrompeu-se ao limite. Junto da corrupção veio o aparelhamento da máquina estatal aos ideais politicos da Constituição de 1988, e está descendo ladeira abaixo.

Quanto mais arrecada, mais gasta. O sistema de fiscalização que seria do Congresso Nacional, foi engolido pelo Executivo e dominado pelo Judiciário. Alcançamos o completo aparelhamento estatal sobre a sociedade e sobre o Brasil 1. A equação ficou assim: Brasil 2 contra o Brasil 1.

Em 2028 a Constituição completará 40 anos. Será o tempo suficiente para se construir o Brasil 2 socialista e aparelhar o Estado para o completo domínio do Brasil 1. Além do Estado ter engolido o Brasil 1, o atual Brasil 2 engoliu setores relevantes da nação: a mídia, as universidades , a educação, a saúde pública, a segurança pública e aparelhamento ideológico do Brasil 2.

A burocracia alcançou níveis altíssimos e o Brasil 1 precisa navegar dentro de uma máquina política enorme e cruel para se sustentar. Imposto em cima de impostos. Corrupção em cima de corrupção. Inchamento em cima de inchamento. Ineficiência em cima de ineficiência. Burocracia em cima de burocracia. O Judiciário que seria a ponta de lança da defesa dos direitos do Brasil 1, tornou-se ponta de lança exclusiva do Brasil 2. Assim como o Congresso Nacional abriu mão da sua autonomia e papel. O Executivo navega no silêncio e na complacência dos outros dois poderes. E assim o Brasil 2 caminha solene e vitorioso em direção ao projeto elaborado pelo Sistema que se aproveitou da Constituição e governa o caos. 

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro1944@gmail.com

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