Henrique Alexandre Mazzardo
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deu mais um passo importante para o enriquecimento da agenda de energia renovável e da nossa agroindústria, que busca a cada dia ser mais sustentável, com a aprovação da mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel, conhecido como B15. Essa alteração, além de estratégica para a segurança do setor energético e a sustentabilidade ambiental, representa um marco de previsibilidade para os investidores do setor e para a cadeia de soja.
O avanço do B14 para o B15 deve ser celebrado não somente pelo setor energético, mas também pelos produtores de soja em Mato Grosso. O subproduto do esmagamento do grão, o óleo de soja, é matéria-prima para a produção de biodiesel. Assim, à medida que a demanda aumenta, estimula também a industrialização da soja em Mato Grosso, agregando valor, gerando empregos e fortalecendo o mercado por completo.
O Sindicato das Indústrias de Biodiesel de Mato Grosso (UniBio MT), tem defendido incessantemente a importância de um calendário progressivo que seja claro, técnico e principalmente respeitado. A previsibilidade é a aliança que faltava para consolidarmos o potencial do setor.
A aprovação do B15 nos mostra que é possível avançar com responsabilidade, ouvindo os diversos elos da cadeia produtiva e alinhando interesses econômicos, sociais e ambientais.
A estabilização da mistura impacta positivamente no balanço de emissões de gases poluentes do Brasil. O biodiesel é um combustível renovável, com emissões significativamente menores que o diesel mineral. Portanto, ao elevar gradualmente o teor dele no diesel, o país caminha rumo aos compromissos climáticos internacionais e empurra a transição energética de forma concreta, limpa e sustentável.
O nosso desafio é garantir que esse avanço seja garantido, que as regras não mudam no meio do processo e que o planejamento de longo prazo seja respeitado e seguido à risca. Que a previsibilidade seja, de fato, o novo combustível da bioenergia brasileira.
O otimismo do agro gerou impactos positivos na comercialização do óleo de soja. No início deste ano, os preços haviam caído devido à frustração com a não implementação do B15, que era prevista para março. Com o novo cronograma, a confiança voltou ao mercado, e a demanda pelo produto tende a se manter firme, sustentando o preço da soja.
O B15 é um passo importante onde precisamos manter essa trajetória e acelerar com segurança e compromisso. O Brasil tem tudo para ser líder mundial em biocombustíveis, e Mato Grosso está pronto para continuar protagonizando essa história.
*Henrique Alexandre Mazzardo é presidente do Sindicato das Indústrias de Biodiesel de Mato Grosso (Unibio MT) e CEO e membro do Conselho Administrativo da Fiagril.

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