Kamila Garcia
O que é divino e o que é humano dentro de qualquer prática religiosa? A raiz de toda religião é a crença — com adoração e respeito — em uma divindade. Mas, sobretudo, a religião deve servir como diretriz de boa conduta junto ao próximo. A base de toda moral religiosa é o amor e o perdão, seja qual for a religião.
Na Antiguidade, por meio dos livros de história, compreendemos o politeísmo dos egípcios, gregos e celtas. De tempos em tempos, o ser humano passou a entender que cada força da natureza carregava uma energia divina, sendo nomeada conforme sua essência.
Cada entendimento do mundo — as estações do ano, o tempo certo de preparar a terra, plantar, colher e estocar — foi considerado um conhecimento divino, guiado por uma consciência superior. Desde que o homem reconheceu essa superioridade divina, o conhecimento passou a ser impulsionado por uma busca constante de evolução, altruísmo e amor. Evidentemente, esse "amor" foi se aperfeiçoando em entendimento. A partir de Abraão, pai da fé monoteísta, conhecemos o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. E, mesmo com diferenças em seus dogmas, a base é a mesma: o amor.
Amor é respeito, é vida, é consciência plena. É a sabedoria de que todos podem — e devem — viver em harmonia, respeitando as diferenças, sejam elas de pensamento, orientação sexual, condição social, cultural ou religiosa. O ser humano, em sua jornada de constante adequação e evolução, muitas vezes se perde em seu egocentrismo, tentando ter razão sobre tudo — inclusive sobre Deus.
Mas, se Deus é fonte de vida, presente em todas as coisas e criaturas, Ele está em tudo e em cada um de nós. Assim, com plena consciência, como posso não reconhecer a presença divina em alguém próximo a mim apenas porque ele tem uma visão de mundo diferente da minha?
O homem, como criação da Obra Divina — seja Deus, Buda, Olorum, Alá, o Deus de Abraão, a Consciência Suprema — foi feito à imagem e semelhança do Pai. E esse Pai nos deu um dom precioso: o discernimento. Essa centelha divina — luz que habita em nós — é capaz de guiar nossas escolhas entre pensamentos e sentimentos. É nosso guia rumo ao amor e ao perdão.
Essa é a base do ser humano. E, para todos nós que, como eu, vivemos em busca de evolução e aprimoramento, importa lembrar: a minha religião — ou a forma como escolhi compreender o mundo — não me define como boa ou má, certa ou errada. São minhas atitudes humanas, assim como as de qualquer um, que traduzem quem sou de verdade.
O que realmente nos define são nossas palavras, pensamentos e ações. E, sob um olhar religioso, somos constantemente chamados a amar, perdoar e ressignificar a vida com generosidade e bondade. É isso que busco todos os dias. Sim, haverá falhas — e nem por isso o dia seguinte deixará de ser um novo recomeço. E, sobre isso, vale refletir: a sua religião, seja cristã ou não, impede você de respeitar e amar o seu semelhante apenas porque ele pensa diferente de você?
*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Atualmente, ela equilibra sua rotina entre o trabalho e estudos em Psicanálise e Psicologia Positiva, além de se dedicar às terapias holísticas. Como coach, Kamila utiliza seus conhecimentos para compartilhar insights sobre espiritualidade, ajudando seus clientes a alcançar um maior bem-estar e autoconhecimento.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% em 2025 após tarifaço
Volta às aulas e material escolar: Procon-MT alerta sobre direitos
TJ alerta: CNH definitiva só pode ser cassada após processo
Código de defesa do contribuinte ou do fisco?
Tribunal de Justiça: cancelamento de hospedagem gera indenização
Golpe do falso advogado: TJ barra descontos de empréstimo
Operação apreende mais de 540 kg de cocaína na fronteira
PC prende acusado de série de crimes contra motoristas de aplicativos
Ministro anuncia renovações automáticas de CNH para bons motoristas
Estudo aponta aumento de preço da cesta básica: mais de R$ 800