Alfredo da Mota Menezes
Aniversário de Cuiabá chegando. Oito de abril de 1719 é o ponto de partida. Em 1727 Rodrigo Cesar de Menezes a eleva a condição de Vila. Cidade em 1818 e capital em 1835. Num primeiro momento, época do ouro, que até não durou muito, ela teve certa efervescência. Acabando o ouro, muitos foram embora e a Vila vai passar por longos momentos de isolamento com o resto do país.
A distância e o isolamento faz com que a sua gente crie uma vida própria. A linguagem, por exemplo. Com falas singular e diferente de outros lugares. A comida é outro item que mostra até hoje como se alimentava as pessoas aqui. A música é mais um exemplo de criação própria do lugar distante e isolado.
A distância de outros centros era enorme e não haviam estradas. O caminho era pelo rio, saindo lá embaixo na Bacia do Prata e chegando ao Atlântico e dali se ia para o Rio de Janeiro, capital federal e centro de quase tudo no Brasil da época. O que não podia faltar era o sal. O restante, talvez possa ser dito, aqui supria as necessidades das pessoas que moravam na cidade.
Aquele isolamento durou até ali pela década de 1960. Neste ano, como exemplo, a população da capital estava em torno de 56 mil pessoas. Hoje beira 700 mil ou mais de dez vezes de aumento de lá para cá.
O isolamento, aos poucos, foi cedendo espaço para mais contatos. Pela gente de fora que vinha para cá e também pela presença de novos meios de comunicação, incluindo a televisão. De uma hora para outra, por causa da televisão, a capital recebia impacto enorme em falas, modos, cultura, que chegava a quase todos que moravam aqui.
A classe média local, querendo entrosar com os que chegavam, logo entra nas mudanças e transformações. Cuiabanos mais distantes das ruas da capital continuaram sua maneira de ser na linguagem, comida, musica e o que havia antes. A influência de fora chegava a eles também, mas não no tamanho do que ocorria na classe media e na elite local e urbana.
Impressiona como o ribeirinho, o homem comum, conseguiu aguentar o tranco da explosão populacional e a chegada de jeitos e falas de fora cotidianamente através da televisão e outros meios de comunicação. A chegada da UFMT também foi outro momento histórico na cidade. Não se precisava mais ir a outros lugares para se ter um curso superior, coisa que somente filhos de elite podiam antes fazer.
Hoje a capital tem um PIB acima de 27 bilhões de reais, com um PIB per capita de 48 mil reais. Em 2023 estava entre as 100 maiores cidades do país em PIB per capita. Nona posição entre as capitais.
Do fim do ouro, do isolamento por séculos, explosão populacional, migrantes com linguagem e comportamento diferentes, televisão ou que fosse, a capital sobreviveu.
Deveria ser mostrado mais sua história e cultura, inclusive para ganhar dinheiro com o turismo. Outros lugares fazem, por que não aqui?
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br

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