Luís Köhler
O descarte inadequado de medicamentos compromete o meio ambiente e a saúde pública. Segundo a ANVISA, 20% dos medicamentos no Brasil são descartados de forma errada. A ONU estima que mais de 500 toneladas de medicamentos vencidos ou não utilizados são descartadas incorretamente no mundo anualmente. Essa prática contamina solo e água, afetando animais e humanos. As farmácias são essenciais no processo de coleta e orientação da população para minimizar esses impactos.
O descarte incorreto de medicamentos polui rios, mares e lençóis freáticos. Compostos farmacêuticos acumulam-se na cadeia alimentar, prejudicando a fauna e podendo afetar a saúde humana. Estudos apontam que a contaminação ambiental gerada por medicamentos pode levar anos para ser revertida, com custos elevados para recuperação.
As farmácias funcionam como pontos de coleta para medicamentos vencidos ou em desuso, facilitando o descarte correto. O farmacêutico tem a responsabilidade de conscientizar os consumidores sobre os riscos do descarte inadequado e incentivar a participação no sistema de logística reversa, regulado pela Lei nº 12.305/2010.
A logística reversa assegura a coleta e o descarte seguro dos medicamentos, evitando danos ambientais e riscos sanitários. Os medicamentos recolhidos são encaminhados a centrais de processamento para destruição adequada. No entanto, muitas pessoas ainda desconhecem essa opção, reforçando a necessidade de maior divulgação e engajamento das farmácias.
Para descartar medicamentos corretamente, siga estas dicas:
Consultar sites e aplicativos: O site do Programa de Descarte Consciente (https://www.descarteconsciente.com.br/) lista farmácias participantes.
Perguntar nas farmácias locais: Se uma farmácia não oferece o serviço, o farmacêutico pode indicar um local adequado.
Verificar sinalização: Farmácias participantes geralmente possuem adesivos ou cartazes informativos.
Consultar programas municipais: Muitas prefeituras mantêm listas de pontos de coleta.
A adesão ao descarte adequado ainda é baixa devido à falta de informação e conscientização. Essa realidade representa uma oportunidade para as farmácias se destacarem promovendo campanhas educativas e expandindo a rede de pontos de coleta. A educação ambiental deve ser ampliada para escolas, hospitais e centros de saúde.
O descarte correto de medicamentos protege o meio ambiente e a saúde pública. As farmácias têm papel essencial na logística reversa e na orientação da população. Com maior conscientização e participação dos consumidores, é possível minimizar os impactos negativos e criar um futuro mais sustentável.
Luís Köhler é farmacêutico, possui MBAs em Inovação e Empreendedorismo e Liderança e Coach na Gestão de Pessoas. Especialista em Gestão Regulatória de Farmácias e Drogarias e Presidente da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Farmácias Comunitárias (SBFFC-MT).

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