Giovana Pedroso
Sabe quando você disse sim para uma caminhada de fim de tarde com o amigo que o convidou justificando que voltariam "mais relaxados" e trabalhariam melhor no dia seguinte? Você foi persuadido e provavelmente não percebeu.
Antes que lembre de momentos iguais a esse e talvez até se surpreenda por perceber que foi persuadido, é importante dizer que não existe nada de errado em ser o alvo dessa estratégia ou usá-la a seu favor. Inclusive, a melhor estratégia de persuasão é aquela que não é percebida. É como um truque de mágica: se você descobre, a magia acaba.
Mas diferente de um truque, na comunicação persuasiva não há espaço para ilusão ou mentiras.
Nas palestras e treinamentos que facilito, é comum observar a confusão entre persuasão e manipulação. Fundamental dizer que são conceitos diferentes. Por desconhecer isso, muitos profissionais rotulam a comunicação persuasiva como um artifício moralmente errado. Neste texto, eu explicarei por que ela não é.
Vamos começar diferenciando persuasão, convencimento e manipulação?
Persuasão é uma palavra que deriva do latim "persuadere", numa tradução livre significa aconselhar alguém até fazê-lo agir de acordo. Persuasão pressupõe ação. É dizer sim, é comprar, é fazer. Observe que é diferente de convencer, pois posso estar convencido de que fazer exercícios físicos é importante, mas nem sequer me matricular em uma academia.
Percebeu que convencer é vencer só no campo das ideias?
Persuadir é agir.
Já a manipulação é o caminho moralmente errado.
Manipular pressupõe mentir, omitir informações ou distorcer fatos para levar alguém à ação. Não vamos entrar neste momento em uma discussão sobre valores, ética e moral, mas racionalmente, quem escolhe manipular faz isso porque falta clareza para construir argumentos bem fundamentados que justifiquem o benefício mútuo da ideia.
Em outras palavras, se nem você sabe bem por qual razão seu produto, serviço, ideia ou recomendação podem fazer a diferença, como espera que o público saiba?
A não ser que a sua intenção seja mesmo a de enganar ou prejudicar alguém – e gosto de acreditar que não –, alerto que a manipulação é usada mesmo sem querer quando buscamos resultados rápidos. Na pressa, acaba faltando tempo, esforço e técnica para descobrir o que é importante para quem vai se sentar na sua frente ou vai acompanhá-lo do outro lado da tela.
Entenda que a sua empresa ou ideia podem ser as coisas mais importantes do mundo para você, mas para um público que tem sonhos, desejos, necessidades e problemas reais, acredite, dizer que você é uma empresa inovadora pouco vai importar.
Não pode fazer sentido somente para você
Quando você entende o que faz sentido para quem está sentado na sua frente e não o que faz sentido somente para você ou para a sua empresa, o caminho para a persuasão começa a ser construído.
Entender tudo isso pode até ser útil, mas não paga as suas contas, acertei? Possivelmente você espera que eu aponte caminhos para a persuasão que ultrapassem a barreira do "gerar consciência" sobre ela.
Algumas rotas úteis para ser mais persuasivo incluem comportamentos básicos, mas muito negligenciados: investir tempo para conversar com seus clientes ou públicos ideais; fazer mais perguntas e ter menos respostas prontas; entender por que compram de você, descobrir quais são os seus maiores desafios e necessidades; perceber como as pessoas veem você ou a sua empresa.
Ouça e depois volte para a sua mesa, fale em voz alta o que descobriu em cada conversa e se responda: como o que eu faço pode ser útil?
O que vem a seguir pode ser usar o que importa para o seu público na construção das narrativas que vão guiar a sua comunicação, seja em um pitch de vendas ou em uma reunião. Quanto mais investimento emocional, mais persuasão. Mas esse é assunto para uma outra conversa.
Agora que você já identificou que a persuasão é uma estratégia não só eficaz, como também moralmente adequada, me conta qual vai ser a próxima situação que você vai usar a comunicação persuasiva?
Giovana Pedroso/TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal