J. A. Puppio
O modelo de economia circular pode ser considerada uma estratégia eficaz para reduzir o desperdicio, maximizar o uso de recursos e promover uma produção mais sustentável. Além de contribuir para a preservação anibiental, a adoção desse modeloauxilia para a preservação ambiental e fortalecimento da indústria de biocombustíveis brasileira, inseindo o pais em um novo ciclo de desenvolvimento verde e sustentável.
A economia circular, ao contrário do modelo linear tradicional, busca transformar residuos e subprodutos em recursos valiosos. Na indústria de biocombustíveis, esse conceito é particularmente relevante. O biometano, por exemplo, é produzido a partir de resíduos orgánicos urbanos e agricolas, transformando aquilo que antes era desperdicio uma fonte de energia limpa renovável. Da mesma forma, o biodiesel o Diesel Verde podem ser produzidos a partir de óleos vegetais, gorduras animais e residuos da indústria alimenticia, fechando o ciclo e reduzindo a pressão sobre os recursos naturais.
Esse processo evita a poluição causada pelo descarte inadequado de residuos e colabora para a redução das emissões de gases de efeito estufa, como o metano um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
No entanto, para implementar a economia circular em larga escala na indústria de biocombustiveis, o Brasil precisa enfrentar alguns desafios. A coleta e 0 processamento de residuos são complexos e exigem uma infraestrutura robusta, especialmente em um pais com dimensões continentais. Além disso, é necessário investir em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar as tecnologias de produção de biocombustíveis a partir de resíduos e maximizar a eficiência desses processos.
Outro desafio importante é a necessidade de politicas públicas que incentivem a adoção de práticas circulares.
Embora o programa Combustivel do Futuro represente um grande avanço para descarbonizar a matriz de transportes e mobilidade, ainda há espaço para expandir os incentivos a tecnologias circulares e promover parcerias entre o setor público, privado e a sociedade civil, de modo a garantir que a transição para uma matriz energética circular seja sustentável e eficiente.
Esse movimento pode levar o Brasil, que já possui um vasto mercado de biocombustíveis, a um novo patamar de competitividade e sustentabilidade. Para isso, instituições como a Embrapa e o BNDES terão um importante papel para financiar pesquisas e desenvolver novas tecnologias e facilitar acesso a créditos e incentivos. Isso cria uma janela de oportunidades para o Brasil se tomar um exportador de tecnologias e combustíveis sustentáveis, contribuindo para a descarbonização mundial e fortalecimento da economia nacional, à medida que avançamos na transição para uma economia verde e circular.
Com o programa Combustível do Futuro, o Brasil está lançando as bases para um modelo de desenvolvimento que alia crescimento econômico a responsabilidade ambiental. Portanto, o futuro da indústria de biocombustíveis brasileira passa, inevitavelmente, pela economia circular.
*J. A. Puppio é empresário e autor do livro "Impossível é o que não se tentou".

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal