Pablo Padilha
Estudos apontam que o país, cuja produção de etanol de milho alcança mais de seis bilhões de litros, deverá chegar a algo entre 13 e 15 bilhões até 2032. Se esta projeção se confirmar, o Brasil se tornará o maior produtor desse tipo de biocombustível no mundo, com Mato Grosso reafirmando um importante protagonismo dentro desse mercado.
O estado concentra hoje 70% da safra nacional de milho. Em 2022, foi responsável pela produção de 4,39 milhões de metros cúbicos, consolidando-se como o principal polo de produção de etanol de milho no país. Das 20 usinas em operação no país, 11 são mato-grossenses.
No entanto, um dos maiores desafios da região é a falta de armazenagem, que pode prejudicar o escoamento eficiente da produção. Em 2022/23, o déficit em Mato Grosso foi de 64 milhões de toneladas.
Para os produtores de milho, esta pode ser uma grande oportunidade para investir na verticalização da produção, tornando-se também industriais ao transformar sua safra em etanol de milho e derivados. Com uma tonelada de milho, é possível produzir 440 litros de etanol, além de subprodutos valiosos como grãos de destilaria (DDGs), óleo de milho e bioeletricidade.
Esse modelo permite que os produtores agreguem valor à sua matéria-prima, diversifiquem suas fontes de receita e reduzam a dependência de preços voláteis no mercado de commodities.
Além disso, eles podem se unir em cooperativas, que são uma maneira eficiente de compartilhar custos e aumentar a escala de produção. Ao se organizarem em grupos, os produtores podem investir coletivamente na construção de usinas de etanol de milho, garantindo maior poder de negociação e melhores condições de mercado.
Vale lembrar também a vantagem que o etanol de milho representa em tempos de preocupação com a questão ambiental. Ele é uma alternativa mais limpa comparada aos combustíveis fósseis. Segundo dados do USDA, o etanol de milho emite 30% menos carbono do que a gasolina. Ou seja, além de fortalecer a economia regional e criar empregos, ele gera valor para os produtores, contribuindo para uma matriz energética mais limpa.
O mercado sabe desse potencial e oferece diversas oportunidades de financiamento para produtores e investidores que desejam entrar no setor de etanol de milho. Uma das principais ferramentas de captação de recursos é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), mas existem também financiamentos atrás do Fundo Clima (BNDES) e do Programa Finep (BNDES).
Por meio desses instrumentos é possível acessar recursos de longo prazo com condições vantajosas, permitindo tanto o financiamento de novas usinas como a modernização de operações existentes.
Para finalizar, mais uma dica importante. As possibilidades são inúmeras, mas é imprescindível que o produtor busque parceiros estratégicos que auxiliem na captação de recursos e na estruturação financeira.
Pablo Padilha é Diretor da COFAN.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Senado deve votar em março PL do streaming criticado por Wagner Moura
O salário mínimo mudou e minha aposentadoria muda?
Energia solar: TJ condena concessionária por contas elevadas
O ser e o estar: Onde Deus habita!
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira