• Cuiabá, 19 de Julho - 00:00:00

Tropa dos calvo, sim... mas por enquanto!


Dra. Melina Oliveira

‌Quem sofre com algum tipo de problema de queda de cabelo, certamente sabe o que é ser alvo de brincadeiras em qualquer roda de amigos. No rol das piadas que já ficaram ultrapassadas, aquelas que entraram no capítulo das “piadas de tiozão”, a “entrada pra careca” e “calvos x privilegiados” são duas das que insistem em reinar absolutas no universo masculino.

As chacotas ficaram obsoletas não apenas porque foram repetidamente usadas, mas, principalmente, porque muitos dos portadores de alopecia androgenética – bem mais conhecida pelo nome de calvície – conseguiram vencer o problema graças aos avanços da ciência. Ser calvo já não é mais uma condição estática, inalterável, que condena o indivíduo a vivenciá-la pelo resto da vida. Hoje sobram tratamentos modernos capazes de oferecer resultados e autoestima elevada.

Por isso, a realidade aponta para um horizonte em que a calvície ou qualquer outra doença capilar esteja com os dias contados, fazendo com que as angústias psicológicas decorrentes da queda de cabelo sejam enterradas juntamente com as troças ultrapassadas dos tiozões da família e dos amigos.

É evidente que não há um único porque que seja suficiente para reunir todos os motivos que levam uma pessoa que sofre com queda de cabelo a recorrer a tratamento. As razões são das mais variadas: expectativas de melhora nos relacionamentos, na carreira profissional, nos fins puramente estéticos ou até mesmo nos esforços para evitar as brincadeiras cotidianas.

À parte dos reais motivos que podem fazer suscitar esse desejo por transformação, é nítido que um número emergente de pessoas recorrem aos tratamentos mais modernos da atualidade. A Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS) fala em mais de 703 mil cirurgias em todo o mundo no ano de 2021. Em 2010, segundo a mesma entidade, foram menos de 280 mil procedimentos.

Com as novas técnicas empregadas, particularmente a FUE – extração de unidade folicular, na sigla inglesa –, técnica que promove a remoção de fios de uma área doadora para a região com alopecia, a busca por esses procedimentos vem ganhando a adesão de muita gente e abarrotando as clínicas especializadas.

Isso se deve antes de tudo à excelência dos resultados que esse tipo de procedimento vem encontrando. Minhas experiências pessoais de uso da FUE têm indicado um índice de satisfação bem próximo da totalidade, o que faz dessa técnica uma forma muito superior a todas as demais que tratavam as quedas de cabelo sem o mesmo nível de eficiência.

Ainda assim, é preferível promover certa dose de cautela. As expectativas de cada paciente devem ser levadas em conta, assim como o perfil de cabelo de cada um deles. Isso pode aproximar ou distanciar a eficácia da FUE, dependendo do ponto de vista, daquilo que cada indivíduo almeja.

Mas é importante também alinhar essas expectativas a partir de uma boa conversa com o profissional. Os procedimentos atuais são ainda mais assertivos quando é antecedido de todos os esclarecimentos que possam ser necessários antes de se investir no tratamento. Até para se entender que não há milagre; há ciência. Não há transformação estética agressiva, mas um respeito inafiançável às características do paciente. Há a “tropa dos calvo”? Bom, pode até haver, mas desde que se queira permanecer calvo.

Dra. Melina Oliveira é médica e especialista em cirurgia de transplante capilar.




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