• Cuiabá, 18 de Junho - 00:00:00

Brasília e a logística de transporte no estado


Alfredo da Mota Menezes

                O governo do estado deve assumir a rodovia federal 158, ali pela região do Araguaia. Assumiu antes a 163. Está duplicando esta rodovia e deve fazer o mesmo com a 158. Toco nesses dois exemplos para enveredar por uma constatação histórica sobre a pouca presença do governo federal, não somente agora, na logística de transporte no estado.

                Não esquecer que se está falando do estado que tem 30 por cento da produção agropecuária nacional. Maior produtor de soja, milho, algodão e carne bovina. Que ajuda e muito na balança comercial do país.

              Se fosse somente com as outras atividades econômicas o tamanho do buraco em desfavor do país no comércio internacional é grande. O agro, no momento, ainda mantem a balança comercial numa posição não tão desconfortável. Mato Grosso ajuda nisso e não é de agora. E Brasília, seja neste ou em outros governos, quase não ajuda na logística de transporte.

                  Passou para a iniciativa privada a concessão da rodovia 163. Como mostrou um trabalho bem feito de pesquisa a OAB-MT a concessionaria ganhou milhões de reais em pedágios e fez pouca coisa do que deveria fazer. E ninguém cobrou nada da concessionaria.

            E nem entrou na Justiça para fazer cumprir pelo menos parte do contrato com a concessionária. O receio era a coisa encompridar num embate no Judiciário. Resolveram fazer um distrato amigável , a concessionária embolsou milhões de reais e saiu de fininho.

                Brasília não fazia melhora ou a duplicação na rodovia 163. O governo do estado a retoma e fez aquilo que Brasília não fez e não cobrou para que a concessionária fizesse. Agora deve ocorrer quase a mesma coisa com a rodovia 158. E, insiste-se mais uma vez, não veio apoio concreto do governo federal para o estado que é a salvação da lavoura nacional na balança comercial.

                Ferrovias que estão no estado também não tem nada que ver com Brasília a não ser fazer a concessão para que a inciativa privada trouxessem os trilhos para cá. E em duas regiões: no Araguaia com a Fico e de Rondonópolis a Lucas com a Rumo. Se um dia sair a Ferrogrão também Brasília só faria a concessão e, como sempre, não ajudando diretamente com a logística de transporte do estado.

                Ah, mas a 163 quem abriu foi o governo federal no regime militar. Muitos acreditam que aquela ação inicial tinha como escopo tentar tirar um problema social e demográfico no Rio Grande do Sul que poderia explodir em levante popular.

             As famílias ali cresceram e a terra era pouca para tanta gente. Crescia o mau humor local. Ai dois presidentes gaúchos, descendentes de imigrantes, Médici e Geisel, sabendo o que poderia vir naquele estado, arrumaram um jeito de abrir pela 163 o Nortão do estado.

            Outra vez MT ajudando outros lugares. Pelo menos desta vez abriram uma rodovia sem asfalto no estado. Enfim, Brasília não tem sido parceira em logística de transporte do estado, nem agora e nem antes.

 

Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.

E-mail: pox@terra.com.br




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