• Cuiabá, 29 de Agosto - 2025 00:00:00

TCU identifica vulnerabilidade em base de dados do Exército sobre armas

  • Em Geral
  • 09/03/2024 21:03:28

Por Lucas Neiva - Portal Congresso em Foco

Tribunal de Contas da União (TCU), ao investigar indícios de fragilidade no controle do Exército sobre os registros de portes de armas cadastrados como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) entre 2019 e 2022, identificou vulnerabilidades na segurança da base de dados utilizada pela força terrestre. Segundo o relatório, o sistema utilizado é propício a invasões, e seus dados não são auditáveis.

O relatório “Controle de armas de fogo e de munições a cargo do Exército Brasileiro o período de 2019 a 2022” foi fruto de uma investigação do TCU a pedido da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, onde o deputado Ivan Valente (Psol-SP) apresentou requerimento ao final de 2022 diante dos indícios de fragilidade na política de fiscalização de armas para civis, cujo comércio foi facilitado no governo de Jair Bolsonaro.

O principal foco da investigação foi o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas do Exército (Sigma), base de dados onde, até julho de 2023, estavam incluídas as informações sobre portadores de armas no Brasil e seus respectivos arsenais. Isso inclui tanto permissões de posse e porte para segurança pessoal quanto para CACs. Apesar da sensibilidade quanto ao sigilo e credibilidade desse tipo de informação, o TCU identificou uma série de irregularidades na segurança da plataforma.

“O Sigma apresenta deficiências nos controles atinentes à segurança da informação e à auditabilidade de seus dados, porquanto possui senhas de acesso repetidas e de baixa complexidade, além de procedimento falho de revogação de acessos. Ainda, para uma parte dos dados e dos usuários do sistema, ele não dispõe de mecanismos de registro de eventos de alterações, inserções, remoções ou consultas”, constatou o tribunal.

Para além de comprometer a própria confiabilidade do sistema, que fica sujeito a alterações indevidas, o TCU registra que a falta de segurança do Sigma acaba prejudicando a própria política de controle de armas de fogo e munições, além de prejudicar decisões por parte do poder público sobre o tema ao não garantir a qualidade da inteligência coletada.

O sistema também demonstrou uma vulnerabilidade no registro de logs de servidores que o acessam. Apesar de guardar todas as informações sobre acessos de agentes civis, o TCU percebeu uma diferença de tratamento quando o Sigma é utilizado por militares do Exército.

A equipe do tribunal chegou a executar um teste a partir de uma conta ligada ao Comando do Exército, que foi utilizada para pesquisar todos os dados de cadastros de armas em Goiânia (GO). O Sigma entregou a lista sem guardar registro sobre a pesquisa, “permitindo o mapeamento de acervos dos administrados pelo Comando do Exército por agentes mal-intencionados”, conforme concluiu o TCU.

O Congresso em Foco questionou o Centro de Comunicação do Exército sobre as falhas apontadas no relatório. Até o momento, não houve resposta.

Desde julho de 2023, o controle sobre registros de armas para civis deixou de ser realizado pelo Exército, e passou a ser realizado pela Polícia Federal, que opera o Sistema Nacional de Armas (Sinarm).

 

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

lucasneiva@congressoemfoco.com.br




Deixe um comentário

Campos obrigatórios são marcados com *

Nome:
Email:
Comentário: