• Cuiabá, 12 de Abril - 00:00:00

Agro, história e momento


Alfredo da Mota Menezes

                Publicação recente mostrou que a empresa Amaggi registrou faturamento, em 2022, de 47 bilhões de reais. O orçamento do governo de Mato Grosso para 2024, recentemente votado na Assembleia Legislativa, é de 35 bilhões de reais. A Amaggi dobra de tamanho econômico a cada oito anos. É uma empresa fundada em 1977 por André Maggi e que hoje está entre as maiores do país no setor do agro.

                Ela também planta em cerca de 400 mil hectares, onde colheu na última safra 1.4 milhões de toneladas de grãos. Comercializou, além da sua própria produção, mais 15 milhões de toneladas de produtores brasileiros e outros sete milhões de grãos da Argentina, Paraguai e EUA.

                A coluna trás este exemplo para enviesar um pouco pela história recente. MT não tinha, antes de 1970, uma produção maior no campo. A pecuária era forte, não a agricultura. Tinha produção quase para subsistência, não para ser protagonista de venda no Brasil ou até no exterior. Arroz, feijão, mandioca, cana de açúcar, era a base. Nada maior, no que é hoje campeão nacional, em soja, algodão e milho, além de carne bovina.

                As pessoas que vinham do sul do país tinham mais conhecimentos das coisas do campo, mas apanharam muito no inicio. Não havia a semente adequada para o tipo de solo do estado, diferente daquele do Paraná e Rio Grande do Sul. Até que a ciência entrou em campo e se descobre a semente apropriada para esta região.

                Outro fator ajudou nessa simbiose, dizem os mais entendidos no assunto: o clima no estado, sem alterações bruscas de temperaturas, geadas ou coisas assim. Como comentado antes pela coluna, os sulistas diziam que não compravam terra em MT, sim o clima. Essa união deu certo. Não somente no caso da Amaggi, mas em tantos outros que cresceram aqui no agronegócio.

                Imaginemos que a família Maggi tivesse continuado no sul do país. Tinham condições de crescer economicamente, mas talvez possa ser dito que não chegaria ao tamanho econômico que é hoje.

                Veja só como funciona a história. O Rio Grande do Sul estava, ali pela década de 1960, numa situação complicada com muita gente para pouca terra. Poderia haver um levante popular. Para acabar com aquela situação, que poderia espalhar para outros lugares, o governo militar entendeu de trazer muita gente de lá para MT e Rondônia.

               Chegavam muitos aviões no aeroporto local lotados de pessoas para trabalharem ao longo da rodovia 163, aberta pelo batalhão de engenharia do exército, onde o Coronel Meireles, que acabou sendo prefeito de Cuiabá, ajudou na construção. E o resultado é o que se vê hoje no estado, não somente no caso da Amaggi.

                Está faltando, mostra o momento, outros personagens, como aqueles que impulsionaram o agro, para empurrarem o estado para a agroindústria. Havendo união dos dois lados, campo e indústria, o futuro do estado estaria mais garantido.

 

Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político. 

E-mail: pox@terra.com.br




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