Emanuel Filartiga
As pessoas sofrem muito, sofrem demais. Disseram-me que parar de sentir é um alívio. Mas eu sou ousado. E atrevo-me todos os dias a viver com o meu corpo inteiro. E que venha a dor e o carinho.
Vida é vida, e não adianta fugir. Quando a gente foge, ela corre atrás. É melhor ir ao encontro dela. É mais bonito para uma pessoa. Acho que vi isso em Clarice Lispector, ela parece que rompe o mundo quando fala das coisas importantes. É como se ela interrompesse a vida para a gente poder passar. Alguns têm esse poder!
Então que venha a vida inteira, não venha em pedaços, encolhida, escolhida. Não escolhemos os conhecimentos que nos aportam, aceitamos todos e nos modelamos neles. Não podemos desperdiçá-los. Tem muito conhecimento por aí procurando alguém. Ah! É bom dizer: não somos, nem queremos ser, donos de quaisquer conhecimentos da vida, queremos mesmo é a liberdade deles. Saber exatamente uma coisa nessa vida é matar a vida. Sentipensamos e sentiagimos.
A vida é pelas curvas de subidas e descidas… de subterrâneo. A morte não limita, pois pior que a vida.
Vá lá, amigo leitor! Interrompa. Cale tudo que o mundo fale. Respire profundo, em que pese o desespero desses tempos. Pense o quanto a vida vale.
Na verdade, continua a persistir um modo de coisas e gentes que difere intrinsecamente do analisado pelos economistas, administradores e gestores. Um universo de dádiva, de mistérios, de sentimentos, que servem para fundar e alentar as gentes. Aristóteles já disse que a imaginação é a pintora da alma. Lute! Cresce dentro de si, amigo leitor. Saiba sempre que não há alegria neste mundo tão privilegiada, que não pague proventos à tristeza.
Para viver tem que excitar a alma, o corpo não aguenta muito. Sinta aquela coisa que cresce, floresce, permanece em nós, que vira canção, que se torna refrão.
Abra os olhos (todos eles) ao mundo, e não se contente em ver as pessoas por fora, as coisas por fora, penetre-os também, e considere-os por dentro.
Que esse nosso curto passeio seja um fato sentimental, de dias muito recitados e de voz voável.
O menino vivedor não estava separado do adulto vivedor e do ancião vivedor, a não ser por sombras e ilusões, como disse Hesse. O passado é o que mais muda.
Escuta a vida e diga para si que você está dentro de si. Coragem!
*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso.

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