Alessandra Augusto
Um artigo publicado na Frontiers in Psychology destacou algumas características-chave de personalidade associadas à síndrome do impostor. Algumas delas, segundo os autores do artigo, são fatores de personalidade como autoestima, estilo atribucional que é quando se atribui eventos da vida a uma causa, e neuroticismo, que é sentir emoções negativas diante de eventos comuns da vida.
Um estudo da KPMG mostra que 75% das executivas de todos os setores já experimentaram a síndrome do impostor em suas carreiras.
A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas. Não se trata de uma doença nem de um transtorno. Chama- se de Impostor aquele que usa de falsidade, que se faz passar por outra pessoa, fingido e embusteiro que se aproveita da ignorância do outro.
A junção dos dois termos forma a síndrome do impostor, uma pessoa que não se sente merecedora de assumir aquele cargo que ocupa e que carrega uma sensação de ser um enganador, acredita não ser merecedora acerca de suas realizações pessoais e profissionais. Quando são reconhecidas ou elogiadas no meio profissional, não reconhecem seus talentos e tão pouco acham que são merecedoras de tais reconhecimentos. É uma forma de autossabotagem.
O fenômeno do impostor acomete homens e mulheres, porém é mais comum nas mulheres. Por não se sentir merecedor, o indivíduo vai se empenhar mais que os colegas, passando do seu horário de trabalho, evitando reuniões e mudando seu comportamento. Essa autossabotagem não acontece apenas no ambiente de trabalho.
Em relacionamentos, a pessoa não acredita na sua competência de estar com alguém. Ela coloca em dúvida se o outro a ama e se está no relacionamento porque quer. No caso de relações sociais e de amizade, tende a pensar que só tem amigos por interesse.
Reforço que qualquer pessoa pode desenvolver esta síndrome e em qualquer idade. Porém, é mais comum quando se está em uma posição em que se pode ser alvo de críticas e julgamentos do desempenho.
Principais sinais e sintomas da síndrome do impostor são necessidade de se esforçar demais, autossabotagem, adiar tarefas, além do medo de se expor. O tratamento é através de sessões de psicoterapia para ajudar o indivíduo a internalizar suas capacidades e competências. A pessoa precisa perceber que é capaz de ocupar o cargo que possui e com isso diminuir a sensação de ser uma fraude.
Indico que a pessoa faça atividades que aliviam o estresse e melhoram o autoconhecimento. Invista em momentos de lazer, yoga e meditação. E o principal, acredite no seu potencial e em suas habilidades. Você é merecedor do cargo que alcançou.
(*) Alessandra Augusto é formada em Psicologia, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Sistêmica e Pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia. É a autora do capítulo "Como um familiar ou amigo pode ajudar?" do livro "É possível sonhar. O Câncer não é maior que você".

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