Vivaldo Lopes
Nas últimas três décadas, Mato Grosso construiu a mais relevante trajetória desenvolvimentista da história econômica brasileira. Da década de 1990 aos dias atuais, o estado saiu da situação de economia periférica e subdesenvolvida para o panteão de potência econômica emergente, encaminhando-se para a posição de estado desenvolvido.
As macrotendências apontam que o exponencial crescimento econômico de Mato Grosso, levará o estado a se aproximar dos mais desenvolvidos do país, que são São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Naturalmente, para superar esse grande desafio estratégico, ainda há muito a ser feito e um longo caminho a ser trilhado.
Tracionado pela agropecuária, setor mais dinâmico e inovador da economia local, nos últimos trinta e cinco anos o PIB estadual teve o maior crescimento médio anual entre todas as unidades federativas. Utilizando-se de pesquisas desenvolvidas pela estatal Embrapa, que permitiram produzir grãos e pecuária em escala industrial nas terras de cerrado, chegamos à produção de 100 milhões de toneladas (2023) e exportamos mais de 32 bilhões de dólares de produtos agropecuários (2022). O que antes era uma agropecuária de sobrevivência, passou a produzir em escala industrial, utiliza as mais modernas e atuais tecnologias de produção agrícola, transformando Mato Grosso no maior estado agropecuário do país. A nossa base econômica que antes produzia apenas para o auto-consumo, passou a ser uma super plataforma exportadora e um “player” global do setor agropecuário.
O salto qualitativo da agropecuária promoveu um “espalhamento” para os setores da indústria, serviços e comércio. Isso ajudou a promover melhoras nos indicadores econômicos como participação no PIB nacional, aumento da renda per capita, avanços da infraestrutura rodoviária, ferroviária e aeroportos. Tivemos também avanços nos indicadores sociais como aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), saneamento básico, saúde e educação. Em escala menor, houve redução nos índices de pobreza e desigualdades sociais.
Essa extraordinária evolução econômica atraiu para nosso território as maiores indústrias processadoras de alimentos do mundo que construíram plantas industriais aqui e também as maiores importadoras e exportadoras agrícolas do planeta, as chamadas “tradings agrícolas”, Tais grupos econômicos internacionais, somados aos empreendedores nativos, por sua vez, contribuíram para inserir Mato Grosso e o Brasil no mapa mundial de potências agropecuárias.
Diante do reconhecimento caso de sucesso do desenvolvimento econômico do estado, a questão que mais surge em meus encontros com empresários, debates e palestras tem sido: qual a tendência da economia de Mato Grosso para as próximas décadas? A questão é bastante complexa e de difícil resposta objetiva. No entanto, considerando sua integração com a economia nacional e mundial, análises macroeconômicas indicam que o estado se consolidará na posição de maior produtor agropecuário do Brasil e avançará para um novo ciclo de industrialização de sua grande produção agropecuária, promovendo ganhos econômicos nos demais setores industrial, serviços e comércio, tornando-os competitivos no cenário nacional e internacional.
A vocação natural de nossa economia é ser, além de campeã nacional na produção de commodities agropecuárias, se tornar também grande industrializadora de alimentos, criando valor à nossa produção, Como já dito anteriormente neste espaço, as maiores indústrias processadoras de alimentos do mundo possuem plantas industriais no estado.
A indústria do etanol de milho promoveu salto produtivo gigantesco na última década, atraindo as maiores multinacionais desse segmento. E ainda existem setores industriais que podem crescer, como o de celulose de eucalipto e o de movelaria de luxo. O setor de serviços também tem vasto espaço para se desenvolver. Para ficar apenas em dois exemplos: Mato Grosso é o estado mais agropecuário do país, mas as maiores feiras agropecuárias são realizadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O estado é um dos maiores consumidores de produtos desenvolvidos por startups de tecnologias agrícolas, mas não criamos nenhuma de referência nacional ou mundial.
Entendo que a nova matriz econômica que conduzirá Mato Grosso ao patamar de referência nacional nas áreas industrial, serviços e comércio precisa, necessariamente, ser precedido de um grande salto qualitativo na educação para que o capital humano seja o grande protagonista desse novo ciclo que sustentará a economia estadual nas próximas décadas. O grande esforço integrado de capital privado, governos federal, estadual, municipais, universidades, que produziram o fenômeno econômico chamado Mato Grosso, pode perfeitamente ser reproduzido no setor educacional com efeitos mais duradouros e socialmente mais justos.
Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA Gestão Financeira Empresarial-FIA/USP (vivaldo@uol.com.br)

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