Murillo Torelli
Após um longo período de estagnação, a taxa de juros Selic está prestes a iniciar um ciclo de cortes, trazendo alívio para a economia, que sofreu com a alta dos juros nos últimos anos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, responsável por definir a taxa Selic, enfrenta um desafio importante nessa tomada de decisão: equilibrar as necessidades do país e as pressões políticas. Isso deve durar até 2024, enquanto o Presidente do Banco Central fica no cargo.
A decisão de cortar os juros, mesmo que de forma parcimoniosa, é um passo significativo em direção à retomada do crescimento econômico. A expectativa é que o Copom anuncie uma redução de 0,25 ou 0,5 ponto percentual na taxa Selic, saindo dos atuais 13,75% para 13,5% ou 13,25%, respectivamente. Essa medida, segundo especialistas e instituições financeiras, é um consenso, mas podemos ter surpresas.
O Banco Central tem desempenhado um papel fundamental nesse processo, buscando manter a inflação sob controle e criar um ambiente mais favorável para investimentos e crescimento econômico. A apreciação cambial e a melhora do rating do Brasil pela Fitch são sinais positivos que mostram que o país está no caminho certo para recuperar sua credibilidade junto aos investidores.
Entretanto, é importante destacar que o Banco Central também enfrenta desafios, principalmente relacionados ao comportamento do Governo Federal em relação às finanças públicas. O atual cenário de expansão da política fiscal tem preocupado os especialistas, pois o aumento das despesas públicas pode limitar o espaço para novos cortes nos juros. Embora a inflação esteja cedendo, o crescimento das despesas de consumo do governo e o compromisso com elevação do salário mínimo e reajustes salariais para os servidores têm impactado negativamente as contas públicas. A inflação, um dos principais indicadores econômicos que afetam diretamente a vida dos brasileiros, está intimamente ligada ao comportamento dos gastos públicos, e o governo tem contribuído significativamente para sua elevação ao adotar uma postura gastadora e pouco disciplinada.
O Governo Federal precisa compreender que a redução dos juros é um processo complexo e que requer um trabalho conjunto entre os órgãos responsáveis pela política monetária e a política fiscal. O novo arcabouço fiscal, que permite o crescimento das despesas em um cenário de inflação controlada, é um avanço importante, mas é necessário um compromisso firme com a responsabilidade fiscal para garantir que essa medida seja eficaz.
Além disso, o controle nos preços é outra frente que merece atenção. O recente exemplo do petróleo do tipo Brent, com alta mesmo diante da queda do dólar, ilustra como a dinâmica dos preços pode afetar a economia. Embora possa aparentar ser uma medida populista, essa abordagem não é sustentável a longo prazo e pode gerar distorções no mercado, causando impactos negativos em diversos setores da economia. O governo parece estar a repetir estratégias equivocadas do passado, como controle excessivo e intervencionismo, que podem gerar desequilíbrios e pressões inflacionárias.
A política expansionista adotada pelo governo tem como consequência um maior endividamento público, o que também contribui para pressionar a inflação. O aumento da dívida pública torna o país mais vulnerável a choques externos e dificulta a retomada do crescimento sustentável.
O Banco Central tem feito sua parte ao buscar a estabilidade da economia e a retomada do crescimento, mas é essencial que o governo também contribua nesse esforço. Medidas como a reforma tributária, que podem simplificar o sistema e atrair investimentos, devem ser priorizadas. Além disso, é fundamental que as políticas fiscais sejam conduzidas de forma responsável, evitando impactos negativos na dinâmica da dívida pública e criando um ambiente favorável para a queda sustentável dos juros.
A perspectiva de cortes na taxa de juros Selic é uma notícia positiva para a economia brasileira, mas é necessário que o Governo Federal atue em consonância com o Banco Central, buscando o equilíbrio entre o estímulo ao crescimento e a responsabilidade fiscal. Somente dessa forma será possível criar um ambiente favorável para investimentos, controlar a inflação e pavimentar o caminho para um futuro econômico mais promissor.
Murillo Torelli é Professor de Contabilidade Financeira e Tributária no Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).
Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) está na 71a posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa Times Higher Education 2021, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Comemorando 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor
INSS terá fila nacional para reduzir tempo de espera