Alfredo da Mota Menezes
Teve um encontro em Brasília de países da América do Sul. Vieram todos presidentes, com exceção do Peru. O país está, mais uma vez, com dura crise politica. Discutiu-se comércio, integração econômica, meio ambiente e infraestrutura.
Mas, interessantemente, a repercussão maior daqueles dias em Brasília foi o caso de Nicolás Maduro da Venezuela. Lula perdeu a chance de fazer com que o encontro ficasse no imaginário popular, o que ficou foi o caso Maduro.
Lula chegou a dizer que não há ditadura naquele país e que foi uma “narrativa” que induziu o mundo a acreditar que ali não existe democracia. Apanhou de todos os lados, principalmente dos presidentes do Uruguai e do Chile. Até Gabriel Boric, do Chile, pertencente a partido de esquerda, não aceitou a narrativa do Lula.
Um grupo domina a política na Venezuela por 24 anos ou desde 1999. Começou com um militar, Hugo Chaves, que ia se eternizar no poder. Teve problemas de saúde e faleceu. O grupo “elegeu” Maduro como novo homem forte.
Ali o golpe nas instituições teve apoio das Forças Armadas que dá suporte direto ao sistema criado na Venezuela. E os militares se beneficiam disso com nomeações para cargos impotentes. Não é correto afirmar que a área militar na região dá sempre apoio à direita política.
Alega-se sempre se tem eleições na Venezuela e que o grupo ganha no voto a continuidade no poder. Mas não tem país sério no mundo que acredita que a eleição ali não seja manipulada.
Ou como disse uma venezuelana, que trabalha em supermercado em Cuiabá, que quem ganha eleição lá é a “maquininha”. Ou seja, é manipulada. Todos os cargos na Justiça, incluindo eleitoral, tem o dedo do governo para esta ou aquela função. É a democracia do dedo que indica.
Lula sugere que está tudo bem na Venezuela. Como está bem se mais de seis milhões de venezuelanos deixaram o país? EUA, Colômbia, Peru, Brasil são alguns dos destinos. A maioria quer ir para os EUA. Muitos dos venezuelanos que estão no Brasil têm ideia de emigrar para aquele país. Trabalhar aqui, ganhar algum dinheiro e depois, através do Caribe, tentar chegar aos EUA.
A inflação na Venezuela é pornográfica, como se dizia no Brasil da hiperinflação do governo Sarney. A renda das pessoas na Venezuela é baixíssima, não dá para comprar comida. Daí a enorme emigração. E o sistema político dali, para muitos no Brasil, Incluindo Lula da Silva, está correto. como se viu no salamaleque que fez com a presença do e Maduro em Brasília dias atrás.
É interessante essa tendência de gentes da América Latina com o sonho de governos de esquerda. O de Cuba deu até certo. A partir dali, os mais à esquerda na politica latino americana, acreditavam que poderia repetir o que ocorreu na pequena ilha do Caribe.
Sonho que ainda perdura num mundo em que nem mesmo a Rússia é mais de esquerda. Coisa de uma antiga América Latina e que dura até hoje. Veja os elogios de gente da esquerda, incluindo o Lula, com o que ocorre na Venezuela.
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br

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