Claudia Petry
Você consegue distinguir o amor da paixão? Pois saiba que, apesar das semelhanças, os sinais de que alguém está apaixonado(a) são bem diferentes de quem está amando. O amor, normalmente, está relacionado a um sentimento bonito, estável e sereno, enquanto a paixão é tida como arrebatadora, turbulenta e, muitas vezes, sofrida.
A palavra "paixão" vem do termo grego Pathos, cujo conceito está relacionado a sofrimento, a algo que nos invade, domina nossos pensamentos e nos faz sair do nosso controle. Por outro lado, o amor é menos intenso, mais pacato, mais confortável, mais controlável e menos temido.
Na paixão, enxergamos na pessoa aquilo que desejamos que ela fosse, e não o que ela realmente é. Ou seja, o(a) outro(a) é idealizado(a) e transformado(a) em um personagem. Já o amor estabelece um padrão mais homeostático. Vemos a pessoa com seus defeitos e suas virtudes, de forma mais realista, e a amamos mesmo assim.
Seria difícil estabelecer qual dos dois sentimentos têm mais valor. No período medieval, a paixão era considerada uma doença para a maioria das pessoas. Já para os românticos era uma forma, talvez a única, de se relacionar amorosamente.
Algumas pesquisas empíricas sustentam que a paixão duraria algo em torno de seis meses, enquanto o amor parece ter uma vida mais longa. Para Nelson Rodrigues, "todo amor é eterno; se morreu, não era amor". No entanto, penso que determinar um tempo cronológico específico para a paixão seja como cercear as narrativas individuais, que são únicas e particulares.
Para a paixão se transformar em amor, primeiramente, ocorre uma quebra da fantasia criada em relação a outra pessoa, que deixa de ser uma projeção e passa, lentamente, a ser vista como ela é.
Neste processo há, naturalmente, uma perda afetiva imaginária, já que o ideal de perfeição primário dá lugar ao que é real. Assim que houver a aceitação desse processo e o surgimento de uma nova forma de identificação, o amor passa a existir.
Em suma, amor e paixão são estados que se parecem, mas, no fundo, são bem distintos e não se camuflam. São sentimentos em estágios diferentes e que manifestam sensações e reações que, muitas vezes, são desconhecidas por nós mesmos.
Claudia Petry é pedagoga com especialização em Sexologia Clínica, membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana) e especialista em Educação para a Sexualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/SC).

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