Onofre Ribeiro
Mato Grosso precisa ser compreendido e resgatado à luz da História. Não dá pra avaliar com os olhos no presente apenas. Há um passado muito recente e um futuro muito próximo que convergem neste momento e pedem um olhar muito preciso.
Vou tentar desenhar esse resgate sem nenhuma paixão. Com os olhos apenas nos fatos que enxergamos e nas perspectivas. Em 1994, a primeira grande safra agrícola foi de soja e causou uma surpresa imensa: 4,5 milhões de toneladas. Mato Grosso comemorou o nascimento do agronegócio que hoje o transformou numa potência. Passaram 6 governantes desde então: Dante de Oliveira, Rogério Salles, Blairo Maggi, Silval Barbosa, Pedro Taques e Mauro Mendes.
Em 2022, aquela produção de 1994 multiplicou-se para 43 milhões de toneladas no prazo de 28 anos. Cresceu 9 vezes. O IMEA – Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, estimou que em 2030 a produção será de 130 milhões em soja, milho, algodão e carnes. Sem contar o etanol de milho e cana que deverá chegar a 8 bilhões de litros.
Considerando as fragilidades que a guerra Rússia-Ucrânia trouxeram grande insegurança alimentar mundial, somadas com o crescente custo dos frentes marítimos, é de se esperar uma revolução em Mato Grosso. Primeiro, de investimentos na infraestrutura de ferrovias, de rodovias e de sustentabilidade. Depois em armazenamento. Por fim na industrialização dessa montanha de produção primária.
As consequências para o desenvolvimento econômico e social serão fantásticas. Empreendimentos de alta tecnologia, empregos de alta qualificação e valor agregado, impostos muito mais qualificados, desenvolvimento sustentável do ponto de vista ambiental, financeiro, econômico e, especialmente, social.
Ainda pesa a questão da inexistência de recursos humanos qualificados à altura desses momentos, que chegarão em menos de 10 anos. Será um desafio tão grande quanto o de fechar todos os ciclos da economia: produzir, industrializar, transformar, transportar, preservar o ambiente, tudo mediante o uso de altas tecnologias.
Talvez o maior esforço dos próximos anos seja produzir gente preparada pro futuro desses próximos 10 anos. Pegar uma educação politizada e ideologizada como a atual e direcioná-la pro mercado e pros interesses maiores do futuro.
Tudo isso é problema pra gestão estadual do Poder Executivo, pra gestão política do Poder Legislativo e pra moderação do Poder Judiciário. Todos estão muito distantes disso. Olhares presos no passado. O Poder Executivo está caminhando bem. Mas a máquina pública é ruim. Futuro nunca esperou. Muito menos em tempos de inteligência artificial, de tecnologias disruptivas e da urgência por gente qualificada, face a um mercado mundial altamente interessado e comida e no ambiente cuidado.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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