Roger Maciel
Recentemente, o mercado econômico foi surpreendido por uma bomba que direcionou todos os holofotes para as inconsistências contábeis do balanço financeiro das Lojas Americanas. Uma série de erros e escolhas fizeram com que uma das maiores holdings do varejo brasileiro perdesse bilhões em valor de mercado em um piscar de olhos.
O impacto de tudo isso permanecerá em aberto por um bom tempo, mas não poderíamos deixar de analisar, pelo ponto de vista ético, como o processo de auditoria desse grande escândalo acabou evidenciando uma série de fatores que contradizem os princípios da atividade.
O primeiro deles, e talvez o mais grave, é o quesito transparência. Tratando-se de uma grande marca de capital aberto, a empresa e seus pares agiram de forma errática ao mascarar um problema que, segundo seu ex-CEO, já vinha se acumulando há anos. Essa não é uma atitude que se espera de uma organização que preza pela boa relação com seus acionistas, talvez os maiores prejudicados.
Na mesma linha, destaca-se uma ruptura com outro valor imprescindível: a confiança. Ao ignorar aspectos vitais de controle interno, a companhia arriscou a reputação que construiu ao longo dos anos com seus stakeholders, deixando claro que ter uma cultura de Compliance estabelecida não basta se a centralização da informação intramuros for permitida.
Por fim, a companhia negligenciou o princípio de integridade que carrega em suas lojas e na relação contínua com consumidores, fornecedores e parceiros. Mesmo diante de inúmeras informações – que ainda precisam ser verificadas –, os indícios de má conduta gerencial foram o suficiente para gerar o contexto negativo das percepções globais, expostas diretamente nos rebaixamentos imediatos de notas de crédito ao redor do mundo.
Independentemente de como a auditoria da empresa foi conduzida e das partes envolvidas, percebe-se que o processo não ocorreu como deveria, ou acabou sendo subestimado. Essa responsabilidade é, antes de qualquer coisa, da organização, que tem a obrigação legal de aplicar procedimentos de auditoria e tratar seus processos com lisura.
A auditoria é uma questão séria, cuidadosa, que em hipótese alguma deve ser menosprezada. Casos como o da Americanas prejudicam diretamente milhões de pessoas e devem ser investigados a fundo. Se há algum alento em toda essa história, talvez seja o fato de que o exemplo negativo que vimos possa pavimentar um caminho de maior seriedade e responsabilidade daqui para frente.
Roger Maciel é CEO da Russell Bedford Brasil.

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