Por Tércio Amaral - Portal Congresso em Foco
A equipe do presidente eleito Luiz Inácio da Silva (PT) terá uma semana decisiva no Congresso Nacional com a PEC da Transição. Para analistas políticos, trata-se da primeira batalha de Lula no Congresso Nacional decisiva para viabilizar seu terceiro mandato.
A PEC da Transição dá sustentação às políticas sociais do novo governo. Com sua aprovação, o presidente Lula consegue garantir o pagamento mensal de R$ 600 do Bolsa Família (rebatizado no governo Bolsonaro como Auxílio Brasil). A PEC também garantiria R$ 150 por crianças até os seis anos de idade.
Essas propostas foram defendidas por Lula durante a campanha presidencial. No Orçamento de 2023, enviado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), o benefício seria reduzido dos atuais R$ 600 para R$ 450 no próximo ano.
A expectativa do novo governo é que a PEC seja aprovada, em duas votações na Câmara e no Senado, até o sábado (10). O texto, no entanto, ainda não tem consenso entre os parlamentares. Para valer em 2023, o texto precisa ser aprovado até o dia 22 de dezembro.
Para ser aprovada pelo Congresso, existem três pontos importantes que precisam ser negociados. O primeiro é por quanto tempo o pagamento do Bolsa Família vai ficar fora do teto de gastos. A expectativa é que fique por dois anos. O segundo ponto é o valor da PEC: se será de R$ 198 bilhões, como deseja o PT, ou no máximo de R$ 100 bilhões, como defendem lideranças alinhadas ao atual governo.
Outro ponto é de interesse direto dos parlamentares: a inclusão, na PEC de Transição, de um mecanismo que autorize R$ 23 bilhões, ainda em 2022, para o uso de receitas extraordinárias. Esses recursos garantiriam o pagamento das emendas de relator, mais conhecido como Orçamento Secreto.
No Congresso, as lideranças apontam que a tendência é que a peça tenha validade de um ano, ou no máximo dois. O Partido dos Trabalhadores (PT) deseja um tempo maior: quatro anos.
Escolha do relator e resistência
Na última segunda-feira (4), o senador Marcelo Castro (MDB-PI) apresentou o texto. Neste domingo (4), em Brasília, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), teriam um encontro para debater o andamento da votação da PEC.
A reunião foi adiada por Lira, que alegou precisas ouvir os líderes antes. Pacheco justificou que teria outros compromissos. Ambos devem disputar a reeleição no comando das casas Legislativas. E os recursos, sobretudo para o orçamento secreto, são decisivos para garantir o apoio dos parlamentares que desejam destravar suas emendas.
Marcelo Castro é também autor do texto inicial da PEC da Transição. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP), deverá fazer nesta segunda-feira (5) o anúncio de quem será o relator da proposta. A PEC pode ser votada na comissão, ou ir direto para votação no plenário.
Há dois cenários: o primeiro é que Davi Alcolumbre seja o relator, mas outro nome que vem sendo ventilado é o do senador Alexandre Silveira (PSD-MG). Para relatar a PEC, Davi Alcolumbre deixaria momentaneamente o comando da CCJ.
Aliados de Bolsonaro pretendem atrasar a votação da matéria no Congresso. O líder da bancada no Senado, Carlos Portinho (RJ), cogitou a convocação de audiência pública durante a tramitação na CCJ. Nas contas dos bolsonaristas, na Câmara dos Deputados, Lula terá o apoio de 240 parlamentares. Esse número é abaixo dos 309 necessários para uma PEC passar na Casa.
AUTORIA
![]()
TÉRCIO AMARAL Tércio Amaral. Editor. É jornalista formado pela Unicap, com mestrado e doutorado em História (UFPE). Atuou no Diários Associados como repórter e editor de política. Foi coordenador de comunicação no Ministério da Educação e tem passagem por assessoria de comunicação do Congresso Federal.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
CNU2: resultado preliminar das vagas reservadas já pode ser consultado
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor