João Edisom
Nos últimos anos o brasileiro focou toda sua frustração na corrupção como sendo o grande mal do Brasil, principalmente em se tratando da coisa pública. Realmente ela faz grandes estragos e traumatiza o país, mas a corrupção não é origem em si. Ela é consequência de outros fatores que, se não forem identificados e atacados, a luta contra ela será eternamente inglória.
Primeiro que corrupção não é tudo igual. Existe a corrupção cartorial, fruto das brechas nas legislações, da impunidade ao alto poder econômico e envolve lobistas, negociações de governo e CNPJs poderosíssimos, enriquecimento ilícito. Exemplos dos casos da Lava Jato. E temos a corrupção de varejo, que envolve assessores, gabinetes parlamentares, CPFs e o dinheiro sai da própria obra ou orçamento. Vários exemplos encontramos lá no caso do mensalão, ou aqui nas rachadinhas.
Ambas são corrupção e não existe a pior. Até porque não há corrupção melhor; ambas roubam, matam, atrasam e aniquilam o país. Só que tudo isso são consequências e não causa!
Temos que entender que não é a corrupção que gera corrupção. Ela não é fruto dela mesma e sim de outros fatores. São estes fatores que precisamos desvendar para resolver a questão. Não adianta matar a corrupção em si porque morre uma e nasce outra em seu lugar. A verdade é que precisamos evitar as possibilidades do surgimento da corrupção.
Para eliminar o mal não adianta atacar apenas o fruto do mal; e necessário matar a árvore do mal para que ela não produza mais frutos.
Não podemos esquecer que a estabilidade trabalhista do fiscal e dos agentes de controle diante de sua incompetência e negligências (aposentadorias compulsórias), somadas a necessidade de reeleição do político (que precisam de dinheiro para se manter na política), são os melhores fertilizantes para a corrupção, mas não são os vilões dela.
Apesar de não ser e não existir um único causador, o maior vilão que origina a árvore da corrupção está na combinação de má gestão e burocracia. O cruzamento da incompetência de um gestor, mais burocracia sistêmica de Estado geram a árvore da corrupção que dissemina os frutos não somente para os poderes constituídos, mas também para a sociedade em geral. No Brasil nem igreja e nem a justiça aguenta auditoria!
Nenhum país do mundo que consideramos mais descente que o Brasil se elimina as pessoas ruins, mal-intencionadas ou corruptas, apenas limita a possibilidade de elas agirem.
As Leis por si só não produzem efeitos. Elas dependem de gestores bons e competentes que a façam funcionar. Toda competência é automaticamente carregada de honestidade. Não existem pessoas ou gestores “competentes e corruptos”.
O caminho está em enxugar o corporativismo endêmico no setor público, responsabilizar criminalmente os órgãos de controle e fiscalização pela sua ineficiência, desburocratizar os processos de contratação e execução de obras e serviços. Com isso desmonta a corrupção cartorial e, se somarmos um pouco de planejamento e estratégia, derrotaremos facilmente a corrupção varejista. Ou seja, gestão de competência e qualidade.
Em se tratando especificamente do poder e especialmente no Brasil, infelizmente ainda cultuamos a frustrações em saber que na maioria das vezes quem têm poder não têm competência e quem têm competência não têm poder.
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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