Alfredo da Mota Menezes
Começa na China séculos atrás, daí passa para o Japão. Chega aos EUA no século XIX. Explode a produção ali na década de 1920. Cresce mais ainda à frente e criam quase um monopólio. Pela década de 1970 dominavam 70% do mercado mundial exportador.
No Brasil, foi plantada pela primeira vez na Bahia no final do século XIX, sem maiores repercussões. Os japoneses também fizeram isso em SP aí por 1908 também sem maiores resultados práticos.
O avanço histórico mais comentado foi com um pastor evangélico norte-americano, Albert Lehenbauer, na região de Santa Rosa no Rio Grande do Sul. Ele viveu aí de 1915 a 37. Em 1923, numa viagem aos EUA, trouxe do Missouri sementes numa garrafa. Lá pelo início da década de 1930 começa na região de Santa Rosa um plantio maior de soja. Ela era a amarela comum e servia mais para alimentação de animal, principalmente suíno.
Continua assim na década seguinte. Lá por 1955-56 começa a ser usado o óleo de soja para substituir a gordura animal. Cresce o consumo e o plantio. Entre 1968-75 cresceu seis vezes a área plantada no Rio Grande do Sul. A produtividade aumentou também.
Aumenta bastante a produção de soja. Aquele foi o primeiro produto agrícola para exportação daquele estado. Os outros eram tropicais, como café, açúcar, cacau, que lá não produzia.
O Brasil começa a entrar no mercado internacional. Os EUA já não estavam sozinhos. Este país continuava a ser o maior produtor do mundo, mas não podia aumentar muito a área plantada com soja porque tiraria espaço de milho e trigo, produções importantes dali.
No sul do Brasil a produção continuava. Problemas começam a surgir. As terras eram caras e escassas, competição com a produção de trigo e problemas sociais locais fizeram com que os gaúchos voltassem os olhos para terras distantes e baratas. Com apoio do governo federal, mais créditos e programas especiais, como o Polonoroeste, começa a marcha para o Centro-Oeste, principalmente Mato Grosso.
Faltavam pesquisas adequadas. Veio a Embrapa com dinheiro do Japão e “descobrem” o cerrado. Novas cultivares, adubagem e explode a produção nesse ecossistema. Depois veio a Fundação Mato Grosso, que ajudou também nas pesquisas.
É muito comentado ainda que técnicos da área agrícola norte-americanos estiveram por aqui tentando descobrir plantas adequadas ao cerrado. Não se conhece o resultado concreto dessa tentativa. Os japoneses, não os norte-americanos, ajudaram nessa descoberta. Eles eram grandes compradores de soja para consumo e comércio e não queriam ficar presos somente aos norte-americanos.
Em resumo: gente do Sul, pessoas mais abertas a novas tecnologias, recursos e créditos, estradas, solo e chuva, pesquisas, apoio dos governos e explode a produção no estado aí pela década de 1980.
A saga da soja modificou Mato Grosso, influenciou a política, a economia, a cultura e o comportamento local.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br

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