Vivaldo Lopes
As duas variáveis econômicas atualmente mais importantes para o Brasil readquirir as condições para o crescimento são a aceleração da vacinação e a renovação do auxílio emergencial. A necessária tração econômica que o país precisa para retomar a atividade econômica dependem, fundamentalmente, do sucesso da implantação das duas medidas.
A vacina é de extrema importância sanitária pela proteção à vida, e ser o instrumento mais eficaz que a ciência médica apresenta para combater a covid-19. Ao mesmo tempo, assume relevância econômica ao permitir a livre circulação de pessoas e, por conseguinte, a retomada das atividades produtivas, com a reabertura de fábricas e os setores do comércio, turismo, bares, restaurantes, hotelaria, grandes eventos, companhias aéreas voltando a funcionar plenamente. Ainda há um longo caminho a percorrer até que pelo menos 70% dos brasileiros recebam as duas doses das vacinas, devido à forma negacionista, destrambelhada e negligente como a administração federal tratou o enfrentamento da pandemia. Na questão da aquisição e distribuição das vacinas, tais falhas ficaram ainda mais evidentes e dramáticas.
O auxílio emergencial atendeu os trabalhadores brasileiros mais fragilizados socialmente pela pandemia, transformando-se na principal ferramenta, evitando que o desastre econômico causado pela tragédia sanitária fosse mais intenso. Com a necessidade do isolamento social, principal instrumento de combate à doença em seu início, as atividades econômicas foram quase que totalmente paralisadas no começo da pandemia. O desemprego teve salto olímpico, os milhões de trabalhadores informais que tiravam o sustento da família diariamente não puderam sair de casa e as empresas tiveram que fechar as portas temporariamente. As projeções das consultorias econômicas, universidades, grandes bancos e órgãos internacionais indicavam que o PIB do Brasil teria queda de 9% em 2020. O auxílio emergencial proporcionou aquecimento não planejado da atividade econômica de abril a dezembro, fazendo com que todas as previsões fossem revistas para uma queda menor, de 5%. A proposta inicial da administração federal era de R$ 200,00 por pessoa. Ao final de intenso e democrático debate no congresso nacional, a ajuda ficou em R$ 600,00 e R$ 1.200,00 no caso de mãe solteira e arrimo de família. O público atendido pelo auxílio chegou a 68 milhões de pessoas, segundo relatórios da Caixa Econômica Federal, que foi responsável pela operacionalização do programa. Segundo relatórios do Ministério da Economia, foram gastos R$ 323 bilhões com o auxílio social até sua finalização em dezembro. Sem condições financeiras para bancar o gigantesco gasto para enfrentar as diversas faces da pandemia, a administração federal obteve rapidamente autorização do congresso nacional e aprovou o chamado “orçamento de guerra” que permitiu ao tesouro nacional aumentar seu endividamento para prover recursos para auxiliar os estados e municípios a combater a doença, transferindo dinheiro para despesas correntes, suspendeu o pagamento de suas dívidas com a União, bancos federais e internacionais. O pacote também contemplou socorro financeiro para as empresas, adiamento do recolhimento de tributos federais, proteção ao emprego e transferência de renda aos mais vulneráveis, por meio do auxílio emergencial. O ministério da economia publicou relatórios informando que o impacto total custou R$ 807 bilhões à Nação.
Considero uma necessidade social e humanista a prorrogação do auxílio emergencial pelos próximos seis meses. A pandemia não terminou em dezembro e apresenta novas ondas de contaminação até mais intensas que as da fase inicial. As possibilidades de financiamento dos gastos com a prorrogação do auxílio social que estão sendo discutidas por congressistas e equipe econômica são: a) cortar gastos orçamentários em montante equivalente ao novo auxílio; b) congresso nacional autorizar crédito extra-orçamentário para não quebrar a regra constitucional do teto de gastos; c) recriar, temporariamente, a antiga CPMF, provavelmente com outro nome.
Entendo como alternativa mais viável um misto das duas propostas iniciais. O congresso nacional exigir corte de gastos operacionais da administração federal e autorizar crédito extra para financiar o restante do programa por um período de seis meses. A conferir se os novos líderes parlamentares terão altivez e perspicácia suficientes para essa empreitada econômico-social.
Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP (vivaldo@uol.com.br).

Ainda não há comentários.
Veja mais:
CNU2: resultado preliminar das vagas reservadas já pode ser consultado
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor