Eduardo Chiletto
Que tipo de futuro queremos construir e que tipo de sociedade queremos formar? Dia 30 de janeiro é o "Dia da Saudade". Saudade de quê? Do que passou? Mas não adianta viver do passado, pensando que viver antigamente era melhor em muitos aspectos do que se vive o hoje. No meu ponto de vista, isso é um grande equívoco!
Até consigo entender os pessimistas quando faço a seguinte indagação: de que forma podemos promover uma sociedade justa, ética, democrática, inclusiva e solidária se os políticos eleitos atualmente, em sua grande maioria, só se preocupam em se perpetuar no poder com seus bolsos cheios de dinheiro? Enquanto a grande maioria da população vive na miséria sem saúde, saneamento básico e segurança pública?
Segundo relatório da ONU-Habitat de 2012, duas em cada três pessoas que vivem nas cidades latino-americanas estão em condições de pobreza. O "abandono" da população rural e das populações vulneráveis nos obrigam a refletir sobre o conceito de sustentabilidade no desenvolvimento municipal, mas, principalmente, na política pública realizada hoje para gerir esse caos social em que vivemos.
A pandemia da Covid-19 revelou claramente a incompetência de grande parte dos gestores públicos e da estrutura política em que vivermos. Fez muitas pessoas que eram o futuro, ficarem na história para a tristeza de milhares de famílias e da sociedade... aí sim, deixando muitas saudades! Mas me parece que não aprendemos muito com isso, pois os mesmos atores políticos continuam em cena.
Para alguns teóricos, as novas gerações começam a acreditar "no mais ameaçador perigo para a convivência gregária e a solidariedade: o individualismo exacerbado". Apesar de todos os desafios pela frente, penso que estão equivocados e dou exemplo: meus três filhos são infinitamente melhores que eu em todos os aspectos, no emocional e social. São cidadãos conscientes que defendem a verdade e desejam um mundo melhor e sustentável.
Realmente este é o caminho. O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio + 20 ("O futuro que queremos"), de 2012, reconheceu a importância do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, tendo por objetivo melhorar o bem-estar humano e igualdade social, ao mesmo tempo em que se reduziria significativamente os riscos ambientais e desequilíbrios ecológicos.
Vamos mais para trás, Ignacy Sanchs, em 1985, mostrou em seus princípios, que quando focamos nosso compromisso político, ético e moral nas pessoas, a temática da sustentabilidade adquire uma perspectiva, um prisma e uma ótica única, pois passamos a agregar dois valores importantíssimos a todo esse processo: história e cultura.
História... Saudades do passado... Nostalgia? Existe um ditado popular muito interessante: "Quem vive de passado é museu". Porém, se está no museu é porque já fez história! E quem respeita a vida e vive com amor deixa indeléveis marcas de esperança e alegria no coração e na memória dos outros e faz a história ao consolidar uma ação positiva.
Sem a história, o caminho é mais pobreza, desigualdades e a uma perpetuação de um ciclo vicioso de uma política lesiva e sem compromisso com a sociedade. Como disse o líder espiritual do budismo tibetano, Dalai Lama: "Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver".
Na sabedoria popular: o passado é lição para refletir e não para repetir... inteligente é aquele que sabe aonde quer ir, e mais inteligente ainda é aquele que sabe onde não deve voltar". Como presidente da Academia de Arquitetura e Urbanismo, convido a todos a espalhar juntos o vírus da solidariedade e do amor, fazendo do hoje a nossa história para sermos exemplos e deixarmos saudades. Sim, nós podemos!
Eduardo Chiletto é arquiteto e urbanista, presidente da AAU-MT, academia.arquitetura@gmail.com

Ainda não há comentários.
Veja mais:
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor
INSS terá fila nacional para reduzir tempo de espera