João Edisom
O discurso de posse do atual presidente norte americano, Joe Biden, conclamando o país para a união de todos e reafirmando a cada minuto que será o presidente de todos e não somente dos que votaram nele traz muito mais que uma mensagem para o futuro. Na verdade, ele resgata o sentido de governar. Disse o presidente: “Eu prometo a vocês que serei um presidente para todos os americanos. E eu prometo que vou lutar tanto por aqueles que não me apoiaram como por aqueles que o fizeram ”.
Qual o sentido da existência de um governo? Ele vai, em sua origem primeira, muito além de realizações, obras e reuniões. No sentido mais originário possível, gestar, liderar ou governar traz como primazia ser o exemplo a ser seguido por todos ou por parte daqueles que por ele são governados. O termo o grande Pai, ou grande Mãe, muito empregado aos governantes nas eras remotas, vem com um ar de protecionismo, de justiça e de retidão obrigatório no exercício do poder. Por isso a posse do prefeito, govenador ou presidente obedece um ritual de passagem, com juramente e testemunhos, que significam que após ocupar o trono há responsabilidades, mas principalmente restrições.
Para Barão de Montesquieu, “o pior governo é o que exerce a tirania em nome das leis e da justiça”. Isso significa aquele que via inimigos entre o seu próprio povo. Ou no caso, aquele pai que faz diferenças e tem preferências entre seus filhos.
Para Johan Wolfgang Von Goethe o melhor dos governos é “aquele que nos ensina a governarmo-nos a nós próprios”. Isto é, ser exemplo didático de comportamento e costumes.
Os ritos e as prerrogativas que o cargo impõe vem com mensagens explicitas, mas principalmente com mensagens subliminares que não podem ser ignoradas. Estes fatores impõem ao exercício do cargo restrições sobre atos, palavras e ações que, ao ser ignorado e praticado pelo gestor, gera deformidade junto a base social que por ele é governado.
Nas palavras de Joe Biden, o Grande pai aparece quando ele afirma que “para superar os desafios, restaurar a alma e garantir o futuro dos Estados Unidos é preciso mais do que palavras. Isso requer a coisa mais elusiva de todas em uma democracia: união [...]. Precisamos acabar com essa guerra incivil que coloca vermelho (cor do Partido Republicano) contra azul (cor do Partido Democrata), rural versus urbano, conservador versus liberal. Podemos fazer isso se abrirmos nossas almas e não endurecermos nossos corações”.
Muito dos usos e costumes praticados pelos cidadãos “comuns” são reflexos das práticas do gestor que ele admira. Por isso que quando o governo se torna seletivo e raivoso automaticamente o egoísmo impera naquela sociedade e reflete na convivência e na empatia entre as pessoas. Por isso tem gente que torce contra o sucesso do outro ou mesmo deseja a morte de pessoas que nem conhece só por pensarem ou serem diferentes dela. Está aí a fonte de todos os termos rotulantes em ação, preconceitos e discriminações em geral.
Por fim Biden traz na sua vice (Kamala Harris) e no discurso a palavra de justiça aos (filhos) supostamente injustiçados, no caso aqui representada por ela no fato de ser negra, filha de imigrantes asiáticos e latinos. "Aqui estamos, onde há 108 anos, em uma outra inauguração, milhares de manifestantes tentaram impedir mulheres corajosas de marchar pelo direito de votar. E hoje nós marcamos o juramento da primeira mulher na história americana eleita para o cargo executivo nacional, a vice-presidente Kamala Harris. Não me digam que as coisas não podem mudar”.
São somente um conjunto de palavras por enquanto, mas é um resgate do “grande pai”, do governo decantado por Abraham Lincoln “Governo do Povo, pelo Povo, para o Povo”. O Grande Pai!
E no Brasil?
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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