Onofre Ribeiro
Tenho abordado o tema dos incêndios no Pantanal neste triste 2020. Desde então recebi uma carga de informações assustadora que não consegui ler toda. Desde relatórios credenciados da Embrapa, a documentos privados e outras contribuições vindas de associações e de pantaneiros históricos. Nada acadêmico!
Quero me deter neste artigo de uma nota pública emitida pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Pantaneiro, datada de 27 de agosto. Detive-me nela porque ela traça um interessante perfil histórico ambiental, econômico e humano do Pantanal. E justamente a História do Pantanal e de Mato Grosso, antes mesmo da divisão de 1979, tem sido esquecida por pesquisadores inicialmente contratados pelo SESC Pantanal ao criar a sua reserva particular na década de 1990. Ou pelos pesquisadores da Ufmt e de ongs nacionais e internacionais. Como circulou muito dinheiro nesse conjunto, a ciência cedeu lugar a outros interesses. A maioria financeiros ou ideológicos.
Lembrando que alguns temas no Brasil se tornaram ideológicos de esquerda. Ambientalismo, em particular. A nota da Associação dos Criadores do Cavalo Pantaneiro recupera os 300 anos de convivência sócio-ambiental-econômica no Pantanal, criando uma rara cultura empírica que sustentou a economia de Mato Grosso desde o século 17 até a década de 1980. Nessa época o boi foi dividido com os cerrados e associou-se à agricultura. Sem prejuízo da continuidade da pecuária pantaneira.
A ocupação da região pela pecuária teve a ver com a segurança das fronteiras Oeste e Sudoeste do Brasil desde os tempos coloniais. Na primeira guerra mundial (1914-1918) charqueadas do Pantanal alimentaram soldados europeus com carne enlatada em Descalvados e outras grandes fazendas industriais.
Em outro momento, até a década de 1940, as usinas de cana de açúcar conviveram dom o Pantanal de Barão de Melgaço, sem qualquer tipo de destruição.
Concluo, tentando sintetizar algumas das dezenas de informações e ideias que recebi. Há um esforço de ambientalistas acadêmicos ideológicos ou de ongs no sentido de esvaziar o Pantanal do boi e de homens. A partir daí os interesses internacionais assumirão o controle da região, criando uma espécie de enclave ambiental dentro do Estado. Que mal teria isso? perguntaria o leitor. Simples e claro. Todas as cabeceiras do Pantanal seriam vedadas a qualquer tipo de exploração econômica. Isso se estenderia às demais bacias ao longo do tempo. Resultado: interromperia a economia do Estado. Só isso! Lembro, pra encerrar: ideologias não tem pátria, sentimento ou qualquer tipo de responsabilidade. A não ser com a vaidade, com o poder e com o dinheiro.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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