Vilson Pedro Nery
A humanidade vive um de seus momentos mais dramáticos, com a pandemia do Coronavírus (COVID-19), seus efeitos planetários e devastadores, somada a uma crise de escassez de líderes mundiais capazes de apontar caminhos alternativos e dar alento às angústias das pessoas ante o incerto.
Percebe-se algumas dimensões da pandemia que afetarão de forma permanente a raça humana, e cabe às pessoas raciocinar acerca de suas implicações nas rotinas de relações sociais, nos resultados econômicos e na agenda política. São estas as dimensões afetadas pela inflexão do vírus mortal: sociais, políticas e econômicas. Acrescento a dimensão espiritual, face à repercussão de antigas manifestações atribuídas ao médium Chico Xavier, e uma recente “previsão” de fim da pandemia para o dia 17/05/2020.
Com relação às comunicações da espiritualidade, Alan Kardec dizia que não existe a futurologia e nem previsão com “data certa” para a ocorrência de determinados eventos, de sorte que não é crível o fim da pandemia do Coronavírus conforme foi veiculado. Outrossim, há 50 anos Chico Xavier previu uma “moratória” para a humanidade, que poderia ingressar em período de prosperidade mundial em 2019, acaso o homem não deflagrasse uma grande guerra.
Mas a pandemia não possui características de guerra planetária?
Sob a dimensão social, profissionais de áreas diversas deduzem que “nada será como antes”, portanto os malucos que fazem passeatas em carrões pedindo a volta ao trabalho (correção, que os “outros” voltem ao trabalho, enquanto os ricos curtem a vida), precisam reconhecer a necessidade de se reinventarem. Nada será como era, o mundo do trabalho será cada vez mais remoto, a educação das crianças receberá reforço familiar e cada vez mais a influência de métodos de educação à distância. Há alguns meses a polícia abordava a pessoa que andava nas ruas ou participava dos movimentos estudantis usando máscaras, e agora é o oposto: o “baculejo” será naquele que estiver na rua sem a sua máscara de proteção.
Um simples espirro não receberá a imediata resposta de, “saúde”!
Com relação às conseqüências políticas é inegável que “Bolsonaro acabou” e que as atuais lideranças mundiais não tiveram a competência de prever a pandemia e mitigar os seus deletérios efeitos. A academia e a ciência também carecem se reinventar, porque também não foram competentes na missão de alertar tempestivamente a sociedade para os riscos da letalidade do capitalismo, do egoísmo exacerbado e da fraticida briga pelos lucros obscenos e acumulação de riqueza idem.
Por fim, a reconstrução começa em cada um, no grupo familiar próximo e nos círculos de amizade. As autoridades estatais estão prevendo a “volta ao normal” para os próximos dias. Será muito curioso ver uma pessoa entrar numa loja e experimentar uma peça de roupa que outros já provaram, ou circular num shopping lotado, sem nenhuma preocupação com o letal corona.
Vilson Pedro Nery é advogado em Cuiabá/MT.

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