Onofre Ribeiro
Esta não será primeira vez que toco neste assunto. Pelo visto, não será última.
Gostaria de falar sobre a raríssima oportunidade das entidades representativas da sociedade em todos os setores, participarem e-fe-ti-va-men-te das decisões da política. Reparem bem: não é da atividade politica em si, mas da formulação das decisões que são tomadas na política.
A crise do vírus corona durante e, principalmente, depois, mudarão completamente a cara do sistema de tomada de decisões da política como a conhecemos. As consequências sobre o modelo de Estado brasileiro serão devastadoras. Na verdade, no mundo inteiro o modelo de Estado será devastado pela pressão que virá da sociedade e da economia.
Vamos a Mato Grosso. Em meio a uma imensa crise perfeitamente visível e que vai devastar as finanças do governo estadual, enxergo com tristeza. O governador Mauro Mendes e o seu governo estão abandonados. A sociedade e os setores econômicos estão anestesiados esperando decisões como se não fizessem parte dos problemas. E nem sofram as consequências no futuro.
Faltam instituições públicas e privadas capazes de se movimentarem criticamente junto ao governo, apoiando-o e mesmo criticando na medida das necessidades. Governo não tem poderes mágicos e nem conhece as pontas da economia e da vida das pessoas lá onde as coisas acontecem.
Aqui critico em particular as universidades que enfiaram a cabeça no buraco do tatu. Nem uma palavra. Já as federações representativas da economia, como todo o seu poder financeiro e de articulação nos setores econômicos imitam as universidades. Em tempos de crise como o atual, os governos não possuem mecanismos mágicos. Funcionam melhor quando são assessorados, apoiados e criticados pela sociedade.
O silêncio em Mato Grosso é ensurdecedor! A mídia está completamente perdida e pouco tem contribuído na mesma direção. Limita-se a repetir a mesma oração antiga.
Volto ao título deste artigo. Se a sociedade não aprender a se movimentar nessa crise em que todos estão fracos, no futuro não conseguirá mais ter articulação. Critico em particular as federações.
Se queremos um país diferente, um Estado-cidadão, todos os setores da sociedade deverão obrigatoriamente abrir as picadas e indicar os caminhos à politica e aos governantes. Oportunidade igual a essa, penso que nunca mais teremos pra acabar com essa anarquia em que se transformou o Brasil ao longo da História!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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