Onofre Ribeiro
Na minha concepção, do ponto de vista médico, o coronavírus já está por demais conhecido. Mas do ponto de vista dos comportamentos das pessoas ele está começando a mostrar as suas consequências.
Vamos lá. Aos poucos a economia foi atingida pelo fechamento de shopping centers, de fábricas, de comércio, de portos, aeroportos, prejuízos aos transportes públicos e a medida extrema: confinar pessoas em isolamento social. Junto vieram o desemprego e insegurança social. Do seu lado, empresas fortes se viram descapitalizadas. Noutra ponta o governo teve que tomar medidas sanitárias, políticas e econômicas, mas perdeu muito a arrecadação dos impostos. É outro com grandes problemas daqui pra frente.
Mas quero ater-me às pessoas. De repente uma família tem a sua rotina completamente transformada. De um sistema de individualidades casualmente unida pela rara presença, se vê suportando uns aos outros confinados. Mães e pais que não conheciam os filhos terceirizados pra creches ou escolas e as atividade extracurriculares. De repente precisaram conviver com esses seres estranhos chamados de filhos e eles com esses ultrapassados pais. Juntos, com frequência avós ainda mais complicados do que os pais. Se no dia a dia eles são ignorados, agora não tem como. É preciso conviver. Mas como conviver com gente velha, antiga e burra?
Acordar pela manhã, escovar os dentes, olhar no espelho e enxergar essa pessoa estranha que quase nunca é vista por ela mesma. Uma ruga aqui, outra ali, um fio de cabelo branco, uma marca na pele...meu Deus! Como isso aconteceu e eu não vi? É preciso pintar o cabelo, mas o salão está fechado. De repente não se pinta o cabelo e se descobre uma pessoa muito diferente daquela da rotina anterior!
Ou, o marido e a mulher descobrirem habilidades ou temas comuns há muito esquecidos, jogados á margem da vida pelos sucessivos conflitos que lhe rege a vida até agora...
Por isso o vírus mistura a sua questão sanitária com uma poderosíssima questão comportamental e começa a reeducar as pessoas para elas mesmas e para as suas famílias...
Logo o vírus passa. Mas deixará pessoas se enxergando diferente. E se assim acontecer, elas serão capazes de fazer grandes mudanças nessa sociedade consumista e individualista. Terá sido preciso uma doença importada do outro lado da Terra pra nos ensinar aqui como viver como humanos...!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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