Alfredo da Mota Menezes
Em Mato Grosso, nos últimos dez anos, a produção de grãos aumentou 121%, saindo de 31 milhões de toneladas para 68 milhões. O estado é, pelo nono ano seguido, o maior produtor de grãos e fibras do país.
O estado também, pelo segundo ano, passou São Paulo no chamado Valor Bruto Agregado ou, em linguagem mais direta, foram 102 bilhões de reais, no último ano, o que se produziu no campo. São Paulo ficou com 78 bilhões. Esse estado produz mais cana de açúcar e laranja.
Mato Grosso produziu 28% dos grãos do país. O estado do Paraná, em segundo lugar, ficou com 14,9% e o Rio Grande do Sul com 14,3%. É como se dissesse que MT sozinho produz tanto quando aquele dois estados juntos. Aqui queria chegar e enveredar por um caminho da história.
O produtor de MT, em sua grande maioria, veio do Paraná e do Rio Grande do Sul. Problemas agrários naqueles estados, com pressão social forte por terra, força o regime militar facilitar a vinda de milhares de pessoas do sul para o estado.
Tiravam o problema agrário crescente dali ao levarem gentes para o vazio demográfico que era o norte de MT e o sul do Pará. Com isso também falavam em conquistar a Amazônia pelo sul ou no slogan da época: integrar para não entregar.
O governo brasileiro já havia estimulado a ida de milhares de paranaenses para o Paraguai no governo de Alfredo Stroessner para tentar diminuir a pressão por terra naquele estado.
Depois disso, como o problema social e agrário persistia, MT foi a opção. No geral quem veio foi o pequeno agricultor. Livros e teses acadêmicas contam muitas dessas histórias.
Alguém, como um exemplo, tinha uma pequena propriedade num daqueles estados. A família crescera, tinha três ou quatro filhos. Mais pressão por terra, portanto. Máquinas agrícolas começavam a chegar ao campo liberando mais mão de obra. O que pressionava mais ainda a questão agrária.
São Paulo, com a chegada das máquinas no campo, também liberou mão de obra, mas lá a maior parte da população do setor agrário acabou sendo absorvida nas fábricas que surgiam. Não era o caso do sul do Brasil.
Pois bem, passou o tempo e hoje aqueles pequenos agricultores que vieram para MT estão produzindo mais que os grandes do agro que ficaram no sul do país. Produzem mais em quantidade, como mostrado acima, e também em produtividade. Solo, clima, expertise, pesquisa, levou a essa alta produtividade.
MT produz mais sacas de soja por hectare do que aqueles estados. Não somente isso. Mostrou canal de televisão que o estado produzia no campo por hectare 11% a mais que o agricultor de soja de Illinois nos EUA. O ganho lá estava na fantástica logística de transporte. Coisa que MT nem chega perto.
Termino com a conversa de sempre: quantas pessoas no outro Brasil sabem o que está acontecendo em MT no setor agropecuário nos últimos anos?
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político
E-mail: pox@terra.com.br Site: www.alfredomenezes.com

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Estado anuncia redução do ICMS da cesta básica em 2026
Os leprosos dos dias de hoje são os descapitalizados
Lei do salário mínimo, que faz 90 anos, organizou relações de trabalho
Cartório Central: megaoperação da PC desmantela facção
A instabilidade como método
Governo confirma suspensão de descontos de empréstimos consignados
Contrato por telefone: Justiça manda devolver valores a idosa
Tribunal de Justiça garante isenção de ICMS para compra de carro
PLP 128 reduz incentivos em 10% e altera a lógica do Lucro Presumido
Janeiro Branco destaca o papel do farmacêutico no cuidado à saúde mental