Da Assessoria
A mistura da metodologia tradicional de educação com as ferramentas da tecnologia é o que fundamenta o “ensino maker”, cada vez mais implantado nas escolas ainda nos anos iniciais. O conceito desperta o protagonismo da geração Z, como são chamados os jovens nascidos nos anos 2000. Recursos tecnológicos, robótica, informática e computação gráfica para dentro da sala de aula são a aposta do método, que tem garantido o primeiro contato com a tecnologia de forma pedagógica e bons reflexos no desempenho escolar.
Em Cuiabá, uma das instituições que investe nesta metodologia é a Escola Chave do Saber (ECSA). A instituição de ensino trabalha com a proposta maker por meio da Sala Tech, local onde os estudantes do 1º ao 9º ano são estimulados a elaborar, pesquisar e construir suas próprias invenções tecnológicas, sempre aliadas ao conteúdo trabalhado em sala de aula. A ideia é “pensar fora da caixa” e para isso é necessário muita criatividade, investigação científica e uso de recursos tecnológicos.
“Não é passar como tarefa ‘construa um carro’. Com o ensino maker você contextualiza esta atividade, abordando outros conceitos como mecânica, elétrica, robótica, sustentabilidade, trânsito, enfim, uma série de elementos que fazem com que o aluno compreenda que aquela atividade também faz parte de outras disciplinas escolares”, explica a coordenadora da Sala Tech, Mara Tereza dos Santos.
O trabalho na Sala Tech já tem trazido bons resultados aos alunos. Prova disso foi o bicampeonato da escola na 4ª edição do Arduíno Day Brasil 2019, realizado em fevereiro deste ano. O evento de tecnologia seleciona os melhores projetos de prototipagem eletrônica e controle de sistemas interativos. Neste ano, a ECSA ganhou com o Blind Cooper, voltado para o uso de pessoas com deficiência visual. O aparelho é composto por um sensor de cores que vibra na pele quando detectada a saída de pista do atleta. O protótipo está em fase de ajustes e já até despertou o interesse de empresas do setor de eletrônicos.
“É importante ressaltar entre os alunos que estas criações podem sair da sala de aula e ajudar outras pessoas, o meio ambiente, o bairro onde moram, a escola. Isto os estimula desde cedo a participar das atividades, a pensar, criar e estudar projetos que farão a diferença no futuro”, destaca Mara.
Mãe do Danillo, de 15 anos, a Roze Adriana Beltramin reconhece a metodologia do ensino maker como fundamental para a escolha da profissão do adolescente. Com a participação nas atividades da Sala Tech, o garoto desenvolveu o gosto pela tecnologia e cálculos, decidindo por cursar Engenharia Eletrônica.
“A Sala Tech foi decisiva para que ele descobrisse o que gosta de fazer e estudar. Logo depois das primeiras aulas, ele já começou um curso de programação, além de participar de olimpíadas de matemáticas e outras atividades voltadas para esta área”, conta Roze Adriana.
Formação
Se para as crianças, o desafio é estudar com o uso da tecnologia, para os professores também. Formada em Análise de Sistemas, com especialização em Informática na Educação, a coordenadora da Sala Tech da ECSA, Mara Tereza dos Santos, diz que a figura do “professor 4.0” é fundamental para aliar conceitos tecnológicos à criatividade e metodologia de ensino.
“As crianças cada vez mais querem usar a tecnologia. Elas gostam, se interessam e aprendem muito rápido. É nossa função como educadores identificar as possibilidades de inserir recursos tecnológicos da melhor maneira”, pontua a coordenadora da Sala Tech.
Além dela, a escola conta com outros professores capacitados na Plataforma de Prototipagem Arduíno, que utiliza conceitos e técnicas da eletrônica e códigos de programação. “O objetivo é aumentar este quadro, pois já identificamos que a tecnologia é uma forte aliada da educação. Todos os recursos disponíveis podem e devem ser testados”, finaliza a diretora da ECSA, Márcia Bezerra.

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